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A EVOLUÇÃO DO VIDRACEIRO: DA BAGUETE DE MADEIRA AO VIDRO INTELIGENTE

Imagem: Dep. de Arte Jornal do Vidro
Imagem: Dep. de Arte Jornal do Vidro

1920/1930 — A época da baguete de madeira, da massa e do vidro estirado

Muito antes dos silicones estruturais, das ventosas modernas e dos vidros de controle solar, o vidraceiro trabalhava praticamente na base da experiência, da coragem e da força física.

Nas décadas de 20 e 30, era extremamente comum o uso de baguetes de madeira para fixação dos vidros. Em muitas aplicações residenciais e comerciais, o vidro era preso mecanicamente com madeira antes mesmo da massa de vidraceiro dominar boa parte das instalações urbanas.

Depois, a massa passou a ganhar força por facilitar vedação e acabamento.

Na indústria, o desafio daquela época era outro: tentar produzir chapas cada vez mais planas e com menos distorções ópticas.

Muito antes do float moderno, os fabricantes utilizavam sistemas de vidro estirado, onde a massa de vidro era puxada mecanicamente através de processos que utilizavam rolos, moldes, ganchos e torres de estiramento vertical ou horizontal.

Mesmo assim, o resultado ainda apresentava irregularidades visuais quando comparado ao padrão atual.

E o transporte era pesado.

Muito pesado.

Boa parte dos profissionais carregava estruturas de madeira apoiadas nas costas, levando chapas praticamente na força humana pelas cidades.

Era um mercado extremamente artesanal e totalmente dependente da habilidade manual do vidraceiro.



Imagem: Dep. de Arte Jornal do Vidro
Imagem: Dep. de Arte Jornal do Vidro

1950 — O mercado começa a se industrializar

O pós-guerra acelerou violentamente a construção civil no mundo inteiro.

As cidades cresceram, os prédios começaram a subir e o vidro passou a ganhar mais espaço em vitrines, fachadas comerciais e construções urbanas.

Ao mesmo tempo, a indústria buscava maneiras de aumentar produtividade, qualidade óptica e padronização.

As ferramentas começaram a evoluir, os cortes ficaram mais precisos e os sistemas de instalação começaram lentamente a abandonar parte da improvisação das décadas anteriores.

O setor ainda era muito manual, mas já existia um movimento claro de industrialização.



Imagem: Dep. de Arte Jornal do Vidro
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1959 — O float glass muda a história do vidro

Em 1959 acontece uma das maiores revoluções da história da indústria vidreira.

Sir Alastair Pilkington desenvolve o processo float glass, na Inglaterra.

O conceito mudaria completamente o mercado mundial.

O vidro derretido passava sobre estanho líquido e saía extremamente plano, com qualidade óptica muito superior e produção contínua em larga escala.

Praticamente todo vidro arquitetônico moderno produzido no planeta hoje nasce desse processo.

Foi a partir daí que o vidro começou realmente a ganhar outra dimensão na arquitetura.

As fachadas cresceram, os projetos ficaram mais ousados e a precisão das instalações mudou completamente de patamar.



Imagem: Dep. de Arte Jornal do Vidro
Imagem: Dep. de Arte Jornal do Vidro

1970 — O vidro vira linguagem arquitetônica

Nos anos 70, o vidro deixa de ser apenas fechamento e passa a participar diretamente da estética dos edifícios.

As fachadas envidraçadas começam a crescer no mundo inteiro, principalmente em edifícios corporativos.

O alumínio ganha força, as esquadrias evoluem rapidamente e o mercado passa a exigir um profissional muito mais técnico.

Já não bastava apenas cortar vidro.

O vidraceiro começou a precisar entender alinhamento, estrutura, vedação, dilatação e compatibilidade entre materiais.

Foi também nessa época que o vidro temperado ganhou espaço e mudou completamente o nível de segurança das aplicações.


1980/1990 — O setor acelera tecnicamente

As décadas de 80 e 90 transformaram o setor num ambiente muito mais industrializado.

Entraram em cena as lapidadoras industriais, as furações automatizadas, as ferragens mais sofisticadas, os silicones estruturais e os sistemas de instalação muito mais avançados.

O vidro passou a ocupar aeroportos, shoppings, edifícios corporativos e projetos arquitetônicos de alto padrão.

A instalação ficou mais limpa, mais rápida e muito mais técnica.

Foi nessa época que o setor começou a assumir definitivamente um perfil profissionalizado e industrial.


2000 — A produtividade muda a rotina das vidraçarias

Os anos 2000 mudaram completamente a operação do mercado.

Ventosas profissionais, parafusadeiras, furadeiras específicas, ferramentas diamantadas, equipamentos de transporte e novos sistemas de fixação aceleraram absurdamente a produtividade das equipes.

Ao mesmo tempo, os projetos arquitetônicos ficaram maiores, mais sofisticados e muito mais exigentes.

O vidro deixou de ser apenas fechamento.

Passou a entregar conforto, desempenho, sofisticação, segurança e valorização arquitetônica.

O vidraceiro passou a trabalhar cada vez mais integrado com arquitetos, engenheiros, serralheiros e fabricantes de esquadrias.


Imagem: Dep. de Arte Jornal do Vidro
Imagem: Dep. de Arte Jornal do Vidro

2010/2020 — O vidro inteligente entra em cena

Se nas décadas anteriores o desafio era estrutural, nos anos 2010 o foco passou a ser desempenho.

Os vidros de controle solar e os sistemas de alta performance evoluíram rapidamente.

Hoje, determinadas composições conseguem permitir entrada de luminosidade natural enquanto reduzem grande parte da carga térmica e da radiação solar.

Em muitos casos, os sistemas conseguem bloquear mais de 70%, 80% e até acima de 90% da radiação solar.

Isso muda completamente o conforto interno, a eficiência energética, a climatização e o desempenho térmico das edificações.

Enquanto isso, empresas como Cebrace, Vivix, AGC, Guardian Glass e Saint-Gobain ajudaram a elevar o nível tecnológico do vidro arquitetônico disponível no mercado mundial e também no Brasil, ampliando o acesso a vidros cada vez mais sofisticados, com controle solar, eficiência energética e desempenho térmico muito acima do que existia poucas décadas atrás.

O vidro deixou de ser apenas um elemento arquitetônico.

Virou tecnologia aplicada diretamente à construção civil.

O que continua igual

Mesmo com toda a evolução tecnológica, uma coisa continua atravessando gerações dentro das vidraçarias e serralherias.

O cuidado no manuseio.

A leitura do vidro.

A precisão da instalação.

E o orgulho da profissão.

Mudaram as máquinas, mudaram as ferramentas, mudaram os sistemas e mudou a tecnologia.

Mas o vidraceiro continua evoluindo junto com o vidro.

 
 
 

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