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A LOGÍSTICA QUE ENCARECE AS ESQUADRIAS NO BRASIL

IMAGENS: DIVUGAÇÃO- TRANSGLASS TRANSPORTES DE VIDRO SÃO PAULO - SP / VITÓRIA ALUMÍNIOS DISTRIBUIDORA  VITÓTIA -ES
IMAGENS: DIVUGAÇÃO- TRANSGLASS TRANSPORTES DE VIDRO SÃO PAULO - SP / VITÓRIA ALUMÍNIOS DISTRIBUIDORA VITÓTIA -ES

Quem trabalha com esquadrias sabe que fabricar uma janela ou uma porta vai muito além de comprar alumínio, vidro e ferragens.

Antes mesmo de começar a produção, a empresa já está pagando pela logística.

Os perfis podem vir de um estado, as ferragens de outro, alguns componentes de outro fornecedor e, dependendo da região, até o vidro percorre centenas de quilômetros antes de chegar à vidraçaria ou à serralheria. Em um país com dimensões continentais como o Brasil, dificilmente toda a cadeia de fornecimento está concentrada em uma única região. Além disso, a matriz de transporte brasileira continua fortemente dependente do modal rodoviário, o que torna toda a cadeia mais sensível ao preço do diesel, às condições das rodovias e aos custos do frete. Esse é o primeiro custo logístico da nossa atividade,mas ele não é o único.


Além do transporte da matéria-prima, existe a complexidade tributária das operações entre estados. ICMS, substituição tributária, diferencial de alíquota (DIFAL), regimes tributários diferentes e interpretações que variam conforme a operação acabam aumentando o custo operacional das empresas. Muitas vezes, um fornecedor deixa de ser competitivo não porque vende mais caro, mas porque o custo tributário e logístico daquela compra torna a operação menos vantajosa.

Quem está na ponta sente isso todos os dias.


Nem sempre é possível comprar do fornecedor que oferece o menor preço. Em muitos casos, o empresário precisa avaliar o custo total da operação, considerando transporte, tributação, prazo de entrega e disponibilidade do produto. O menor preço na nota fiscal nem sempre representa o menor custo quando toda a operação é analisada.


Depois que toda essa matéria-prima chega à empresa, começa o trabalho do vidraceiro ou do serralheiro.

É ali que perfis, vidros, ferragens e componentes deixam de ser materiais separados para se transformar em uma esquadria pronta. Mas, ao contrário do que muita gente imagina, a logística não termina quando a fabricação acaba.

Na verdade, ela ganha uma nova dimensão.


Transportar uma esquadria pronta é completamente diferente de transportar perfis de alumínio ou caixas de ferragens. Estamos falando de um produto de maior valor agregado, muitas vezes fabricado sob medida, com grandes dimensões e que exige cuidados durante toda a movimentação. Uma avaria pode significar substituir perfis, trocar vidros, refazer parte da fabricação e realizar um novo transporte.


Outro aspecto pouco lembrado é a cubagem da carga. Esquadrias ocupam muito espaço no veículo e, em muitos casos, o caminhão atinge seu limite de volume antes mesmo de atingir o limite de peso. Isso aumenta o custo do frete e reduz a eficiência do transporte. Soma-se a isso a necessidade de embalagens mais resistentes e sistemas de acondicionamento capazes de reduzir o risco de avarias durante o percurso.


Somando tudo isso, percebemos que a logística acompanha praticamente toda a vida de uma esquadria. Ela está presente quando a matéria-prima sai da extrusora, quando os componentes percorrem diferentes estados, quando a empresa precisa lidar com uma legislação tributária complexa e, posteriormente, quando o produto acabado segue para o cliente.


É justamente essa soma de fatores que torna o custo logístico das esquadrias muito maior do que muitos imaginam.

Nos últimos anos, o setor evoluiu em tecnologia, qualidade, sistemas construtivos e desempenho. Hoje produzimos esquadrias mais eficientes, mais seguras e com melhor acabamento. No entanto, continuamos enfrentando um desafio que pouco depende da capacidade técnica das empresas: o chamado Custo Brasil.


Estradas, distância entre fornecedores, concentração de parte da cadeia produtiva em determinados estados, predominância do transporte rodoviário, elevada carga tributária e a complexidade fiscal acabam formando um conjunto de custos que reduz a competitividade das pequenas indústrias de esquadrias.

Esse é um debate que precisa ganhar mais espaço no nosso setor.


Sempre discutimos o preço do alumínio, do vidro, das ferragens e da mão de obra. Mas talvez esteja na hora de discutirmos também quanto a logística brasileira influencia o custo final das esquadrias.

Porque, enquanto não enfrentarmos esse problema de forma estrutural, continuaremos produzindo bons produtos em um ambiente que insiste em torná-los mais caros antes mesmo de chegarem ao cliente.


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