IMPOSTO DO VIDRO IMPORTADO SOBE PARA 35%. MAS O QUE MUDA PARA QUEM TRABALHA COM VIDRO?

Você deve ter visto por aí que o governo decidiu aumentar o imposto de importação do vidro float incolor. Mas será que isso é bom ou ruim para o nosso mercado? E será que pode mexer nos preços que pagamos aos fornecedores? Vamos conversar sobre isso.
A partir de 29 de outubro, o imposto sobre o float incolor importado passa de 25% para 35%. A decisão foi tomada pelo governo federal e tem validade prevista até 25 de dezembro de 2026.
Antes de tudo, vale esclarecer uma coisa: isso não significa que o vidro vai ficar automaticamente 10% mais caro. O aumento é no imposto cobrado sobre o produto que vem de fora do Brasil, não diretamente na tabela do vidro vendido aqui.
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MAS POR QUE O GOVERNO AUMENTOU ESSE IMPOSTO?
O motivo principal é o crescimento das importações.
Segundo dados divulgados pela Abravidro, entre janeiro e julho deste ano, o Brasil importou 126.771 toneladas de vidro float incolor, um aumento de quase 132% em relação ao mesmo período de 2025.
E tem outro detalhe: o preço médio desse vidro importado caiu 25,9% no período.
As usinas brasileiras reclamam que está cada vez mais difícil competir com esses preços. Por isso, a Abividro, entidade que representa os fabricantes nacionais, pediu ao governo uma proteção maior para a produção brasileira.
A ideia é tornar o vidro importado menos competitivo em relação ao nacional.
Até aí, dá para entender a preocupação das usinas. Afinal, também precisamos de uma indústria brasileira forte, produzindo e gerando empregos.
E PARA QUEM COMPRA VIDRO, ISSO É BOM?
Aí a conversa fica um pouco mais complicada.
Quem trabalha com vidro sabe como é importante ter opções de fornecimento. Quando existe concorrência, temos mais possibilidades de negociar preços, prazos e condições de compra.
Com o imposto maior, parte do vidro importado pode perder competitividade, e isso pode dar mais espaço para as usinas brasileiras.
O problema é que acabamos de passar por dois reajustes no float em aproximadamente 90 dias, um em junho e outro em setembro.
Inclusive, o Jornal do Vidro publicou recentemente uma reportagem sobre essa situação.
Então fica uma pergunta: com menos pressão dos importados, como vão se comportar os preços do vidro nacional?
Não estamos dizendo que haverá outro reajuste. Até agora, não existe confirmação disso. Mas é uma questão que merece nossa atenção.
AS PRÓPRIAS ENTIDADES ESTÃO ATENTAS
A Abravidro, que representa distribuidores e processadores, também levantou uma preocupação importante.
Seu presidente, Victor Villas Casaca, afirmou que uma proteção tarifária maior precisa vir acompanhada de responsabilidade das usinas, com abastecimento, qualidade e preços justos e faz sentido.
Porque não adianta proteger apenas uma parte do mercado se as demais empresas da cadeia tiverem dificuldades para comprar, beneficiar e vender o vidro.
O distribuidor precisa comprar bem. A têmpera precisa manter seus custos sob controle. E lá na ponta estão o vidraceiro e o serralheiro, que precisam apresentar um orçamento competitivo e ainda ganhar dinheiro com o serviço.
ENTÃO VAMOS TER OUTRO AUMENTO?
Não dá para afirmar isso. O aumento do imposto não obriga as usinas a reajustarem seus preços, e também não sabemos ainda como essa mudança vai influenciar as negociações nos próximos meses.
O que sabemos é que o mercado já vem enfrentando dificuldades com os custos e com o ritmo das vendas.
Por isso, vale acompanhar o que acontece com as tabelas dos fornecedores, principalmente agora que estamos chegando ao fim do ano.
Proteger a indústria brasileira é importante. Mas também precisamos de distribuidores, processadores, vidraçarias e serralherias fortes. Afinal, uma parte do mercado depende da outra.
Fontes: Resolução Gecex nº 976/2026; Abravidro, 27/10/2026; Jornal do Vidro, reportagem sobre os reajustes do float em 2026.







