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VOCÊ SABE COMO SURGIU O ESPELHO?

há 11 minutos
3 min de leitura

IMAGEM: Acervo Jornal do Vidro
IMAGEM: Acervo Jornal do Vidro

História do espelho

Hoje ele está no banheiro, no quarto, na academia, na loja e faz parte da rotina de qualquer vidraceiro. Mas o espelho nasceu milhares de anos antes de alguém pensar em colocar uma camada metálica atrás de uma chapa de vidro.


Imagine uma época em que ninguém tinha um espelho em casa. Para enxergar o próprio rosto, uma das poucas possibilidades era olhar para a superfície de uma água parada. Em algum momento, porém, o ser humano percebeu que determinados materiais, quando muito bem polidos, também conseguiam devolver uma imagem. Foi assim que começou uma história que atravessaria milhares de anos até chegar ao espelho que conhecemos hoje.


O PRIMEIRO ESPELHO ERA UMA PEDRA

Os espelhos fabricados mais antigos já encontrados têm cerca de 8 mil anos. Eles foram descobertos na região da Anatólia, onde hoje fica a Turquia, e eram feitos de obsidiana, uma rocha vulcânica naturalmente vítrea que podia ser trabalhada e polida até produzir uma reflexão bastante nítida para a época.


Muito antes de existir o espelho de vidro, portanto, o ser humano já procurava uma forma de enxergar a própria imagem. Depois da pedra vieram os metais. Na Mesopotâmia aparecem registros de espelhos feitos com cobre polido, enquanto egípcios também utilizaram discos metálicos e, séculos depois, o bronze passou a ser empregado em diferentes regiões.

Durante muito tempo, espelho era basicamente isso: uma superfície metálica cuidadosamente polida até conseguir refletir uma imagem. A ideia de usar uma chapa de vidro com uma camada refletiva na parte de trás ainda demoraria bastante para se desenvolver.

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QUANDO O VIDRO ENTROU NA HISTÓRIA

Os romanos chegaram a produzir pequenos espelhos usando vidro associado a uma superfície metálica, mas aqueles objetos eram muito diferentes dos grandes espelhos planos que conhecemos hoje. A qualidade do vidro e as técnicas disponíveis ainda limitavam bastante o tamanho e a qualidade da imagem.


A grande transformação começou muitos séculos depois, principalmente com o avanço da produção de vidro na Europa. Durante o Renascimento, Veneza se tornou uma das grandes referências mundiais nesse trabalho, especialmente com os mestres vidreiros de Murano, cujo conhecimento chegou a ser tratado como verdadeiro segredo comercial.


A partir do século XVI, uma das técnicas empregadas na Europa utilizava uma camada formada por estanho e mercúrio atrás do vidro. O resultado era muito superior ao que havia sido produzido anteriormente, e o método permaneceu em uso durante séculos. O problema é que, além de trabalhoso, o processo envolvia mercúrio, uma substância que hoje sabemos representar sérios riscos à saúde.


ESPELHO JÁ FOI COISA DE RICO

Durante boa parte dessa história, ter um bom espelho estava longe de ser algo comum. Produzir vidro plano de qualidade era difícil, fabricar a superfície refletiva dava trabalho e peças maiores custavam muito dinheiro. Por isso, durante séculos, grandes espelhos foram objetos de luxo e também símbolos de riqueza.


Hoje parece estranho pensar nisso porque o espelho faz parte da nossa rotina. Ele é cortado, lapidado, bisotado, instalado em paredes inteiras e encontrado em praticamente qualquer casa. Houve um tempo, porém, em que conseguir enxergar o próprio corpo inteiro refletido com boa qualidade era privilégio de pouca gente.


A REVOLUÇÃO VEIO NO SÉCULO XIX

Um dos passos mais importantes para chegar ao espelho moderno aconteceu em 1835, quando o químico alemão Justus von Liebig desenvolveu um processo capaz de depositar uma fina camada de prata metálica sobre o vidro.


Com o aperfeiçoamento da chamada prateação e, posteriormente, com o avanço da produção industrial de vidro plano, os espelhos puderam ser fabricados com maior qualidade, em quantidades muito maiores e a preços cada vez mais acessíveis. Aquilo que durante milhares de anos havia sido pedra polida, metal e artigo de luxo começou finalmente a se transformar em um produto comum dentro das casas.


E CHEGAMOS AO ESPELHO DO VIDRACEIRO

Apesar de toda essa evolução, o princípio básico continua fácil de entender: uma superfície de vidro trabalha junto com uma camada refletiva. O que mudou enormemente foram a qualidade do vidro, os materiais utilizados, a proteção dessa camada e, principalmente, os processos industriais de fabricação.


Aquela história que começou há cerca de 8 mil anos com uma pedra vulcânica polida chega hoje à vidraçaria em grandes chapas que podem ser cortadas, lapidadas, bisotadas, perfuradas e transformadas em peças dos mais diferentes tamanhos e formatos.


Talvez seja justamente isso que torne a história do espelho tão interessante para o nosso setor. O vidraceiro trabalha todos os dias com um produto tão presente na vida das pessoas que quase ninguém para para pensar de onde ele veio. Antes de chegarmos ao espelho moderno, a humanidade passou milhares de anos procurando maneiras melhores de enxergar a própria imagem, uma história que começou com a água, passou pela pedra e pelos metais e acabou encontrando no vidro o material que mudaria tudo.

 
 
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