VIDRACEIRO SE RECUSA A INSTALAR VIDRO EM GUARDA-CORPO

Caso repercutido na internet reforça uma situação comum no dia a dia da obra: o cliente pede uma solução, mas a norma exige outra. Em guarda-corpos, aceitar a especificação errada pode signific assumir um risco sério.
Um caso que ganhou repercussão nos últimos dias chamou a atenção de profissionais do setor: um vidraceiro se recusou a instalar vidro temperado monolítico em um guarda-corpo solicitado pelo cliente.
Para quem trabalha com vidros e esquadrias, a situação está longe de ser incomum. O cliente muitas vezes chega com a solução definida, orçamento comparativo em mãos e até referências de obras semelhantes. O problema começa quando aquilo que foi pedido não corresponde ao que pode ser executado tecnicamente.
No caso dos guarda-corpos, a discussão passa diretamente pela especificação do vidro e pelo atendimento às normas aplicáveis.
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O ponto não é vender o vidro pedido
A ABNT NBR 7199 estabelece para guarda-corpos envidraçados o uso de vidro laminado de segurança classe 1 ou vidro insulado composto por esse material.
O sistema também deve atender à ABNT NBR 14718, específica para guarda-corpos.
Para o vidraceiro e o serralheiro, portanto, a questão não termina na escolha da chapa. O conjunto envolve composição, espessura, dimensões, fixação, perfis, ferragens, ancoragens e as condições da própria estrutura onde o sistema será instalado.
É exatamente aí que casos como esse deixam de ser uma simples discussão entre cliente e instalador.
O profissional que aceita executar uma solução inadequada passa também a assumir a responsabilidade por aquilo que colocou na obra.
Temperado pode fazer parte da solução
Vale reforçar um ponto conhecido pelo setor, mas que muitas vezes aparece simplificado quando o assunto chega ao consumidor: o problema não é o vidro temperado.
O temperado pode, inclusive, integrar a composição de um vidro laminado quando o projeto e as exigências mecânicas do sistema assim determinarem.
A questão está no uso do temperado monolítico como fechamento do guarda-corpo.
Por isso, reduzir a discussão à frase “não pode usar temperado em guarda-corpo” também não é tecnicamente correto.
A especificação precisa considerar o sistema completo.
Quando o profissional precisa recusar
O episódio chama atenção principalmente por uma decisão que nem sempre é simples comercialmente: recusar o serviço da maneira solicitada.
Na prática, isso pode signific perder o orçamento para outro profissional disposto a executar exatamente aquilo que o cliente pediu.
Mas esse tipo de situação faz parte da atividade.
Quando a especificação não atende à norma ou apresenta risco incompatível com a aplicação, a função do profissional não é simplesmente atender ao pedido. É orientar, apresentar a solução correta e, se houver insistência, não executar o serviço.
Não se trata apenas de uma questão comercial.
Trata-se de responsabilidade profissional.
Guarda-corpo exige atenção redobrada
Guarda-corpo não é um fechamento qualquer.
É um sistema de proteção contra quedas e, por isso, especificação, fabricação e instalação precisam ser tratadas com o rigor correspondente.
O caso que repercutiu na internet serve menos como novidade técnica para vidraceiros e serralheiros e mais como um lembrete sobre uma situação que muitos profissionais já enfrentaram na obra:
nem sempre o serviço certo é aquele que o cliente pediu.







