top of page

VALE A PENA O VIDRACEIRO TRABALHAR COM ESQUADRIAS DE PVC?

IMAGEM: Acervo Jornal do vidro
IMAGEM: Acervo Jornal do vidro
Matéria do dia 27 de Agosto de 2026

Se você trabalha com vidro há algum tempo, provavelmente já encontrou esquadrias de PVC pelo caminho. Pode ter colocado vidro nelas, encontrado o produto em alguma obra ou até participado de um orçamento em que o cliente acabou escolhendo esse sistema.


Mas vale a pena conhecer esse mercado mais de perto? E mais: PVC ainda é um produto restrito ao alto padrão ou já existe espaço para o vidraceiro trabalhar com ele em outros mercados?

Antes de pensar em comprar máquina ou mudar alguma coisa na sua empresa, vale entender como esse setor funciona. Porque uma coisa já dá para adiantar: se você conhece vidro, sabe medir uma obra e está acostumado com esquadrias, não vai começar do zero.


PVC É SÓ PARA OBRA DE ALTO PADRÃO?

Essa associação não surgiu por acaso.

As esquadrias de PVC cresceram no Brasil muito ligadas a obras nas quais conforto térmico, acústica, estanqueidade e acabamento são bastante valorizados. Naturalmente, boa parte dessas obras estava no médio e no alto padrão.

Só que o mercado de PVC hoje é maior e mais organizado do que essa imagem pode fazer parecer.


Existe no Brasil uma entidade específica do segmento, a ASPEC PVC -Associação Brasileira dos Fabricantes de Sistemas, Perfis, Componentes e Esquadrias de PVC, reunindo empresas que atuam em diferentes partes dessa cadeia.

O setor também conta com o Programa Setorial da Qualidade (PSQ) de Esquadrias de PVC, criado em 2014 e atualmente com gestão técnica do Centro Cerâmico do Brasil (CCB). O programa acompanha a conformidade dos produtos participantes por meio de avaliações e ensaios.

Isso já mostra algo importante para você que está olhando o PVC de fora: há uma cadeia estabelecida por trás dessas esquadrias.


________________________________________________

Continue a leitura após a publicidade:

    ________________________________________________


E O QUE MUDA PARA QUEM JÁ TRABALHA COM ALUMÍNIO?

Bastante coisa.

Não pense que fabricar uma esquadria de PVC é simplesmente pegar aquilo que você já faz com alumínio e trocar o material.

Os sistemas trabalham com perfis, reforços, ferragens e componentes próprios. O processo de fabricação também muda. Entram operações como soldagem dos perfis e acabamento dessas soldas, além dos procedimentos determinados por cada sistema.

Sua experiência com alumínio ajuda muito, mas não elimina a necessidade de aprender uma nova tecnologia.


Ao mesmo tempo, existe uma bagagem que vai junto com você. Quem trabalha com esquadrias conhece a diferença entre a medida do projeto e aquilo que efetivamente aparece na obra. Está acostumado a conferir nível e esquadro, lidar com vidro, ferragens, vedação e instalação e sabe o tamanho do prejuízo que uma medida errada pode causar quando o material já está pronto.

Nada disso deixa de ser útil porque o perfil mudou.


PARA O VIDRACEIRO, O VIDRO CONTINUA SENDO PARTE IMPORTANTE DA CONVERSA

Esse ponto merece atenção especial.

Boa parte do interesse pelas esquadrias de PVC está ligada ao desempenho que o conjunto pode oferecer. Só que esse resultado não depende exclusivamente do perfil.

O vidro também participa do desempenho da esquadria.


Dependendo daquilo que a obra precisa resolver, a especificação pode envolver diferentes composições, inclusive soluções voltadas ao desempenho térmico e acústico.


É justamente aí que você entra em terreno conhecido.

Para o vidraceiro interessado em ampliar aquilo que oferece ao cliente, aprender mais sobre esquadrias pode ser uma maneira de aproveitar melhor um conhecimento que já possui. A diferença é passar a enxergar a janela como um conjunto, desde a medição e a especificação até a instalação.


PRECISO MONTAR UMA FÁBRICA DE PVC PARA ENTRAR NESSE MERCADO?

Não necessariamente.

Antes de pesquisar preço de máquina, faz mais sentido descobrir como está o mercado na sua região.

Quem já fabrica PVC por aí? Quais sistemistas atendem sua cidade? Há treinamento disponível? Como funciona o fornecimento de perfis e componentes? Qual estrutura seria necessária para fabricar corretamente determinado sistema?

Também é possível se aproximar desse mercado sem começar pela fabricação.

Dependendo das parcerias disponíveis, uma vidraçaria pode comercializar esquadrias produzidas por uma empresa especializada e participar da medição, especificação, instalação ou fornecimento dos vidros.

É uma maneira de conhecer o produto e, principalmente, descobrir se existe procura entre os clientes que já chegam até você.

Com demanda suficiente e conhecimento acumulado, aí sim começa a fazer sentido estudar uma estrutura própria de fabricação.


E SE EU QUISER FABRICAR?

Nesse caso, o primeiro passo é conhecer muito bem o sistema com o qual pretende trabalhar.

Corte, usinagem, reforços, soldagem, acabamento, ferragens, montagem, colocação dos vidros e controle dimensional fazem parte do processo. Os equipamentos necessários também dependem daquilo que será produzido e das orientações do fornecedor do sistema.

Por isso, antes de sair procurando uma máquina usada ou fazendo conta de investimento, converse com os sistemistas.

Entenda como funciona o treinamento, conheça a linha de perfis e descubra quais equipamentos serão necessários para a produção que você pretende montar. Ferragens, componentes, assistência técnica e disponibilidade de material na sua região também precisam entrar nessa conta.

Comprar equipamento primeiro e descobrir depois como pretende fabricar é uma ótima maneira de começar o negócio pelo lado mais caro.


DÁ PARA GANHAR DINHEIRO COM PVC?

Essa provavelmente é a pergunta que interessa mais.

Só que seria irresponsável responder simplesmente que sim.

O resultado depende da região, do perfil dos clientes, da concorrência, do sistema utilizado, do custo dos materiais, da estrutura necessária e da capacidade comercial da empresa.

Então olhe para aquilo que já acontece ao seu redor.

Pedidos por soluções de melhor desempenho acústico podem indicar um mercado interessante. Arquitetos e construtoras que começaram a especificar PVC também dizem alguma coisa. E, quando essas esquadrias começam a aparecer com frequência nas obras da sua cidade, vale descobrir quem está fornecendo e instalando.

Esse tipo de informação ajuda muito mais a decidir se existe uma oportunidade do que qualquer promessa de que determinado material será “o futuro das esquadrias”.


PVC VAI SUBSTITUIR O ALUMÍNIO?

Para quem precisa tocar uma empresa, essa disputa pouco acrescenta.

O alumínio possui um mercado enorme, grande variedade de sistemas e uma cadeia consolidada. O PVC tem características próprias e conquistou seu espaço.

O que interessa para sua vidraçaria é entender o que seus clientes estão procurando e o que você consegue entregar bem.

Depois de conhecer o PVC, você pode concluir que não há motivo para mudar aquilo que já faz. Em outra empresa, pode fazer sentido acrescentar o produto ao portfólio por meio de parceiros. E, onde houver mercado suficiente, aprender a fabricar pode se transformar em uma nova frente de negócio.

Não existe uma resposta igual para todo mundo.


ENTÃO, COMPENSA O VIDRACEIRO APRENDER SOBRE PVC?

Compensa conhecer.

E existe uma diferença enorme entre conhecer um mercado e colocar dinheiro nele.

Se você trabalha com vidro e esquadrias, entender um sistema que já está presente no mercado brasileiro aumenta seu repertório e ajuda a perceber oportunidades que antes poderiam simplesmente passar pela sua porta.

Conheça os fabricantes e sistemistas, veja como as esquadrias são produzidas, procure treinamentos e converse com quem já trabalha com PVC. Depois olhe para sua própria região, para seus clientes e para os números da sua empresa.

No fim dessa pesquisa, você pode chegar à conclusão de que PVC não faz sentido para o seu negócio agora.

Tudo bem.

Mas também pode descobrir que aquele cliente que entrou na sua vidraçaria perguntando por uma janela de PVC não precisava ter saído dali para procurar outra empresa.

 
 
bottom of page