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TARIFAÇO DOS EUA E CLASSIFICAÇÃO DE PCC E CV, O MERCADOS DE VIDROS E ESQUADRIAS IRÁ SENTIR?

Vamos lá:

Duas notícias internacionais ganharam força nos últimos dias e estão chamando a atenção de economistas, empresários e investidores. A primeira é a proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. A segunda é a decisão americana de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras a partir de 5 de junho.

À primeira vista, muitos vidraceiros, serralheiros e profissionais da construção podem olhar para essas notícias e pensar: "isso está longe da minha realidade". Mas não necessariamente.

Quando analisamos a cadeia completa da construção civil, percebemos que decisões geopolíticas, comerciais e financeiras costumam chegar até a obra — às vezes de forma lenta, mas quase sempre de forma inevitável.


O tarifaço de 25% preocupa a indústria

A proposta apresentada pelo governo americano prevê uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Embora existam exceções importantes para alguns setores estratégicos, o anúncio reacendeu preocupações sobre exportações, investimentos e competitividade industrial.

O setor de alumínio acompanha a situação com atenção especial.

O Brasil é um importante fornecedor de metais para os Estados Unidos. Historicamente, medidas semelhantes já provocaram revisões de investimentos, redução de margens e mudanças de estratégia por parte das indústrias exportadoras. O próprio governo brasileiro já havia alertado que tarifas sobre aço e alumínio podem gerar impactos relevantes sobre exportações do setor.

Para o mercado de esquadrias, isso importa porque o alumínio é uma das matérias-primas mais importantes da cadeia.

Se exportar ficar mais difícil, algumas empresas podem direcionar maior volume para o mercado interno. Em contrapartida, incertezas econômicas também podem reduzir investimentos industriais e pressionar custos.

Ainda é cedo para afirmar qual dos movimentos prevalecerá.

O fato é que a indústria passa a trabalhar em um ambiente de maior cautela.


IMAGEM: Vivix Vidros Planos (Divulgação)
IMAGEM: Vivix Vidros Planos (Divulgação)

Construção civil já vinha reduzindo expectativas para 2026

O cenário ganha peso porque a construção civil brasileira já entrou em 2026 enfrentando desafios.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) reduziu recentemente sua projeção de crescimento do setor para 1,2%, abaixo da estimativa anterior de 2%. Entre os fatores citados estão juros elevados, aumento dos custos dos insumos, combustíveis mais caros e um ambiente internacional mais incerto.

Segundo a entidade, as vendas de materiais de construção e a produção de insumos apresentaram retração no início do ano, indicando um mercado mais cauteloso.

Nesse contexto, qualquer novo fator de instabilidade internacional acaba sendo acompanhado com atenção por toda a cadeia produtiva.

E isso inclui fabricantes de esquadrias, distribuidores de alumínio, beneficiadores de vidro, ferragistas, construtoras e incorporadoras.

PCC e CV classificados como organizações terroristas

A segunda notícia tem potencial de gerar efeitos ainda mais difíceis de medir.

Os Estados Unidos anunciaram que PCC e Comando Vermelho passarão a integrar a lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida entra em vigor em junho e amplia significativamente o nível de vigilância financeira sobre operações que possam, direta ou indiretamente, ter ligação com essas organizações.

O advogado especializado em comércio internacional Welber Barral afirmou ao UOL que a decisão pode aumentar o risco percebido pelos investidores e elevar o nível de escrutínio sobre bancos, exportadores e empresas que tenham qualquer relação com o mercado americano.

Segundo ele, experiências semelhantes observadas em outros países mostraram impactos sobre investimentos, exportações e até sobre a percepção de risco econômico internacional.

IMAGEM: Perfisud Extrusão de Alumínio (Divulgação)
IMAGEM: Perfisud Extrusão de Alumínio (Divulgação)

O que isso tem a ver com construção civil?

Muito mais do que parece, grandes obras dependem de financiamento,Construtoras dependem de crédito, Indústrias dependem de bancos.

Importadores e exportadores dependem de operações financeiras internacionais.

Quando aumenta a percepção de risco de um país, instituições financeiras costumam elevar exigências de compliance, auditorias e controles.

Em outras palavras: não é uma questão de PCC ou CV terem relação com o setor da construção.

A preocupação está na possibilidade de aumento do custo do dinheiro, maior burocracia financeira e maior cautela dos investidores internacionais.

E o mercado do vidro?

No curto prazo, dificilmente veremos uma mudança imediata no preço do vidro por causa dessas decisões.

Mas o mercado do vidro está profundamente conectado à construção civil.

Quando a construção desacelera, obras são adiadas.

Quando obras são adiadas, diminuem pedidos de esquadrias.

Quando diminuem pedidos de esquadrias, diminui a demanda por vidro, ferragens e acessórios.

É uma cadeia única.

Por isso, mesmo decisões aparentemente distantes podem acabar influenciando o dia a dia de quem está na vidraçaria, na serralheria ou na indústria.


O momento é de atenção, não de pânico

Os anúncios feitos pelos Estados Unidos ainda passarão por etapas regulatórias e seus efeitos concretos dependerão das respostas dos governos, dos mercados e das empresas.

Mas uma conclusão já parece clara.

O setor do vidro e das esquadrias não pode mais olhar apenas para dentro da própria fábrica, da própria serralheria ou da própria vidraçaria.

O mundo está cada vez mais conectado.

E, quando a geopolítica mexe com exportações, crédito, confiança e investimentos, os reflexos acabam chegando à construção civil — e, consequentemente, ao nosso mercado.


Se liga... 

Ainda não estamos falando de uma crise instalada. Estamos falando de sinais que merecem acompanhamento. E quem acompanha cedo costuma tomar decisões melhores do que quem espera o problema chegar à obra.


Fontes consultadas

  • CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção

  • UOL Economia

  • Reuters

  • Associated Press (AP)

  • Ministério das Relações Exteriores do Brasil

  • Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

  • Sinduscon-SP

  • FGV IBRE

 
 
 

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