NOVO AUMENTO DO VIDRO: SEGUNDO REAJUSTE EM 90 DIAS PRESSIONA VIDRAÇARIAS E PROCESSADORAS

Mesmo com a recuperação das vendas em setembro, mercado enfrenta incertezas sobre os custos da matéria-prima e a continuidade da demanda.
O mercado vidreiro brasileiro enfrenta mais uma rodada de aumento nos custos do vidro float. Em setembro, a Associação Brasileira de Distribuidores e Processadores de Vidros Planos (Abravidro) informou que empresas do setor haviam recebido a notícia de um novo reajuste da matéria-prima, o segundo em um intervalo de apenas 90 dias.
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O anúncio veio num momento complicado para distribuidores, têmperas, vidraçarias e serralherias. Além da dificuldade de repassar aumentos aos clientes, o setor vinha registrando queda nas vendas e maior concorrência com produtos importados.
Em agosto, as vendas de vidros processados recuaram 14,5% em relação a julho, segundo o Termômetro Abravidro. O resultado foi o menor registrado desde o início da pesquisa, em abril de 2022.
A situação melhorou em setembro, quando as vendas cresceram 11,1% na comparação com agosto. Entretanto, existe uma dúvida importante: parte desse crescimento pode ter ocorrido porque empresas anteciparam compras para escapar dos novos preços.
AUMENTO NA MATÉRIA-PRIMA, MAS E O PREÇO FINAL?
Para quem trabalha diariamente com vidro, o problema vai além do percentual de reajuste anunciado pelas usinas.
Quando o float fica mais caro, o aumento pode chegar ao vidro temperado, laminado e a outros produtos utilizados em portas, janelas, fachadas, guarda-corpos e boxes de banheiro.
O desafio está no repasse. Uma vidraçaria que já apresentou orçamento ao cliente pode ter dificuldade para manter sua margem quando recebe uma nova tabela do fornecedor. Por outro lado, aumentar os preços também pode significar perder serviços para a concorrência.
Nas empresas de processamento, a preocupação envolve ainda o custo dos estoques, o planejamento das compras e a negociação com distribuidores e vidraçarias.
Por isso, neste momento, vale redobrar a atenção à validade dos orçamentos, confirmar os preços antes de fechar pedidos e acompanhar possíveis alterações nas tabelas dos fornecedores.
IMPORTAÇÕES TAMBÉM PRESSIONAM O MERCADO
Outro ponto que merece atenção é a entrada de vidros importados no Brasil.
Segundo a Abravidro, o volume importado acumulado até agosto já se aproximava de 88% de tudo o que havia sido importado durante 2025.
A entidade relaciona esse cenário, entre outros fatores, aos subsídios concedidos a empresas vidreiras em países asiáticos.
Para o mercado nacional, a questão envolve uma combinação difícil: custos de produção pressionados, concorrência externa e clientes cada vez mais atentos aos preços.
SETEMBRO MELHOROU, MAS OUTUBRO SERÁ DECISIVO
Apesar do crescimento de 11,1% nas vendas de setembro, o resultado ainda não foi suficiente para reverter o desempenho negativo acumulado em 2026.
O presidente da Abravidro, Victor Villas Casaca, alertou que a antecipação das compras pode ter contribuído para a melhora registrada naquele mês. Assim, será necessário observar os resultados de outubro para saber se existe uma recuperação consistente ou apenas um movimento temporário de formação de estoques.
A Abravidro também criticou a falta de transparência no diálogo sobre o reajuste e considerou inoportuno o momento escolhido para sua aplicação.
Até o momento, os comunicados consultados pelo Jornal do Vidro não permitem apontar um percentual único de aumento nem afirmar que todas as usinas aplicaram a mesma correção.
Para vidraceiros, serralheiros, distribuidores e processadores, o cenário pede atenção. Antes de assumir novos compromissos comerciais, conferir o custo atualizado do vidro e as condições de fornecimento pode fazer a diferença entre fechar um bom negócio e trabalhar com uma margem menor do que a prevista.
Fontes consultadas: comunicados da Abravidro de 8 e 11 de setembro e 8 de outubro de 2026. Apuração geral 23/10/2026.






