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MERCADO DÁ SINAIS DE MELHORA, MAS CUSTOS AINDA APERTAM VIDRO, ALUMÍNIO E CONSTRUÇÃO

IMAGEM: Daniel Prado (𝐷𝑖𝑎𝑚𝑜𝑛𝑑 𝐺𝑙𝑎𝑠𝑠)  Especialista de Fachadas Pele de Vidro
IMAGEM: Daniel Prado (𝐷𝑖𝑎𝑚𝑜𝑛𝑑 𝐺𝑙𝑎𝑠𝑠) Especialista de Fachadas Pele de Vidro
Matéria 18 de Agosto

Indústria de materiais conseguiu estancar a queda em julho, enquanto custos da construção continuam subindo. Para vidraceiros e serralheiros, segundo semestre pode trazer um pouco mais de movimento, mas ainda exige atenção aos preços


Depois de um primeiro semestre difícil para boa parte do mercado da construção, julho trouxe pelo menos um sinal de que as coisas podem começar a melhorar.

O faturamento da indústria brasileira de materiais de construção ficou praticamente estável em relação a julho do ano passado. Parece pouco, mas é uma mudança importante depois das quedas registradas ao longo de 2026.


Para quem trabalha diretamente com vidro, alumínio, esquadrias e instalação, a notícia interessa porque esse mercado depende muito do ritmo das obras e reformas. Quando a construção desacelera, normalmente o reflexo acaba chegando também à vidraçaria, à serralheria e aos fornecedores.


Os dados são da primeira edição do Pulso Abramat, levantamento mensal lançado pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat).


Ainda está ruim? Está. Mas menos ruim.

De janeiro a julho, o faturamento da indústria de materiais de construção ainda acumula queda de 2,7% em comparação com o mesmo período de 2025.

Nos materiais básicos, a redução é de 2,4%. Nos produtos de acabamento, chega a 3,2%.

Ou seja: ainda não dá para falar em recuperação.

A diferença é que as perdas estão diminuindo.

Por isso, a Abramat manteve a previsão de que o setor termine 2026 com crescimento de 0,5%. Para isso acontecer, porém, o segundo semestre precisa ser melhor que o primeiro.


E é justamente aí que vidro e alumínio entram nessa história.

Uma melhora no número de obras, reformas e investimentos imobiliários tende a aumentar a procura por boxes, janelas, portas, fachadas, guarda-corpos, envidraçamentos e esquadrias.

Não acontece automaticamente e nem chega igual para todo mundo, mas um mercado da construção mais aquecido normalmente significa mais oportunidades também para vidraceiros e serralheiros.


Só que construir continua ficando mais caro

Existe outro lado dessa história.

Enquanto o faturamento tenta reagir, o custo da construção continua subindo.

O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), avançou 0,62% em julho.

Foi menos que os 0,85% registrados em junho, o que é uma boa notícia. Mas, olhando os últimos 12 meses, o índice acumula alta de 6,40%.

Na prática, significa que o mercado tenta voltar a vender mais enquanto continua pagando mais caro para construir.


E quem está no balcão sabe muito bem o tamanho desse problema.

Não adianta aumentar o número de pedidos se vidro, alumínio, ferragens, acessórios, mão de obra, transporte e outros custos também pressionarem o orçamento. Movimento maior não significa necessariamente margem maior.


Materiais subiram menos em julho

Há, porém, outro pequeno sinal positivo.

Dentro do INCC-M, o grupo de Materiais e Equipamentos — no qual estão incluídos os vidros planos utilizados pela construção civil — subiu 0,42% em julho.

Em junho, a alta tinha sido de 0,86%.

Ou seja, os materiais continuaram ficando mais caros, mas subiram em um ritmo bem menor.


É uma diferença importante.

Não significa que os preços começaram a cair. Significa apenas que a pressão dos aumentos perdeu força em julho.


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E o que o vidraceiro e o serralheiro têm a ver com isso?

Tudo.

Esses grandes indicadores da construção parecem distantes da realidade de uma vidraçaria ou serralheria, mas ajudam a mostrar para onde o mercado está andando.

Quando obras e reformas diminuem, aparecem menos pedidos. Quando os materiais sobem demais, o orçamento fica mais caro e o cliente pensa duas vezes antes de fechar. E quando as duas coisas acontecem ao mesmo tempo, a margem de quem está no meio da cadeia fica ainda mais apertada.

Por isso julho chama atenção.


Ainda não existe uma grande retomada. O setor de materiais continua negativo no acumulado do ano e os custos continuam maiores.

Mas existem dois movimentos que merecem ser acompanhados: a queda nas vendas está perdendo força e os materiais tiveram uma alta menor de preços.


Se essa tendência continuar nos próximos meses, o segundo semestre pode finalmente começar a trazer algum fôlego para a construção — e, junto com ela, para o mercado de vidro e alumínio.

Por enquanto, é cedo para comemorar.

Mas depois de um primeiro semestre complicado, parar de piorar já é um começo.


Fontes: Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) Pulso Abramat, edição de julho de 2026; Fundação Getulio Vargas (FGV/IBRE) Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M), julho de 2026.

 
 
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