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GOVERNO ABRE INVESTIGAÇÃO SOBRE VIDRO TEMPERADO CHINÊS NO BRASIL

Matéria do dia 03 de agosto de 2026

Governo investiga possível dumping de vidros temperados chineses usados em eletrodomésticos. Entenda quais produtos estão envolvidos e se a medida pode ter implicações para vidros usados em portas, janelas e boxes.

Antes de qualquer coisa, meu amigo vidraceiro e serralheiro: você sabe o que é dumping?


Vamos explicar de maneira simples.

Imagine que uma empresa de outro país venda determinado produto no Brasil por um preço muito abaixo do chamado “valor normal” daquele produto. Dependendo das condições em que isso acontece, essa prática pode ser considerada dumping.

Na prática, isso pode criar uma concorrência muito difícil para quem fabrica o mesmo produto no Brasil. Mas atenção: produto importado barato não significa automaticamente dumping.


É preciso investigar os preços, verificar se realmente existe essa prática e se ela está causando prejuízo à indústria brasileira.

E é exatamente isso que o governo brasileiro decidiu fazer agora com uma categoria de vidros temperados importados da China.


Que vidros estão sendo investigados?

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, abriu investigação sobre vidros temperados chineses destinados à fabricação de eletrodomésticos das chamadas linhas quente e molhada.

Na linha quente estão aplicações em fogões, fornos, cooktops e coifas. Na linha molhada, equipamentos como máquinas de lavar roupas, secadoras e lava-louças.

A investigação foi aberta após uma petição apresentada pela Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro), em nome das empresas Viprado e Schott Flat Glass do Brasil.


Segundo os dados analisados pelo governo, as importações chinesas dos produtos investigados cresceram 121,4% no período mais recente considerado. Na análise inicial que fundamentou a abertura do processo, foi calculada uma margem relativa de dumping de 230,1%.

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E o vidro de portas, janelas e boxes?

Aqui está o ponto mais importante para o vidraceiro e o serralheiro: a investigação não envolve todo vidro temperado importado da China.

O processo trata especificamente de vidros destinados a determinadas aplicações em eletrodomésticos.


Portanto, o vidro temperado utilizado normalmente em portas, janelas, boxes e outras aplicações da construção civil não está diretamente incluído no objeto dessa investigação.

Também não existe, neste momento, uma nova taxa geral sobre o vidro temperado chinês.


O governo abriu uma investigação. Agora será necessário determinar se realmente houve dumping, se houve dano à indústria brasileira e se esse dano foi provocado pelas importações investigadas.


Caso o processo resulte futuramente em alguma medida antidumping, aí será possível avaliar também eventuais reflexos indiretos para outros segmentos da cadeia.

Por enquanto, para o vidraceiro, a notícia é esta: existe uma investigação sobre uma categoria específica de vidro temperado chinês usado em eletrodomésticos, e não sobre o temperado usado normalmente em portas, janelas e boxes.

 
 
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