FIM DA ESCALA 6X1: COMO A MUDANÇA AFETA O PEQUENO VIDRACEIRO E SERRALHEIRO?

Nova regra trabalhista foi promulgada nesta sexta-feira (16) e começa a valer em dezembro. Para as pequenas empresas do setor, o desafio será conciliar a redução da jornada com os custos, os prazos das obras e o atendimento aos clientes.
O fim da escala de trabalho 6x1 já é uma realidade no Brasil. Nesta sexta-feira (16), o Congresso Nacional promulgou a Emenda Constitucional 141/2026, que estabelece dois dias de descanso semanal e reduz gradualmente a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução dos salários.
A mudança começa a valer em 15 de dezembro de 2026, quando a jornada máxima passará para 42 horas semanais. Depois de mais 12 meses, o limite será de 40 horas, completando um período de transição de 14 meses.
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Mas como essa mudança vai afetar a vida de quem tem uma pequena vidraçaria ou serralheria, muitas vezes com apenas dois ou três funcionários, e precisa dividir o tempo entre atender clientes, fazer orçamentos, medir, fabricar e instalar?
Essa é uma questão que merece atenção no nosso mercado. Afinal, estamos falando de empresas pequenas, em que a ausência de um funcionário pode comprometer a programação de toda uma semana.
MENOS HORAS, MESMOS SALÁRIOS
A principal mudança não está apenas na quantidade de dias trabalhados, mas também na redução da jornada semanal.
Uma vidraçaria que já funciona de segunda a sexta-feira, por exemplo, pode não precisar alterar seus dias de atendimento. Entretanto, se os funcionários cumprem atualmente 44 horas semanais, terão de reduzir essa carga para 42 horas na primeira etapa e, posteriormente, para 40 horas.
Na prática, uma jornada de 44 horas distribuídas em cinco dias corresponde a 8 horas e 48 minutos diários de trabalho. Com a nova regra, esse período será reduzido inicialmente para 8 horas e 24 minutos e, ao final da transição, para 8 horas por dia.
Pode parecer pouca diferença, mas vale observar a realidade de uma pequena empresa. Um serviço que exige dois profissionais, como a instalação de um box, uma porta de vidro ou uma esquadria de grandes dimensões, depende da disponibilidade dos dois trabalhadores. Se a equipe não consegue concluir uma instalação dentro do expediente, pode ser necessário reagendar a finalização ou recorrer a horas extras, respeitando as regras trabalhistas.
A redução também altera o custo da hora de trabalho. Como o salário mensal será mantido, a empresa passará a pagar o mesmo valor por uma quantidade menor de horas disponíveis. Isso não significa, necessariamente, que os custos totais aumentarão na mesma proporção, pois cada negócio possui uma organização diferente.
E QUEM TRABALHA AOS SÁBADOS?
O sábado merece uma atenção especial. Em muitas vidraçarias e serralherias, é justamente nesse dia que aparecem clientes interessados em fazer orçamentos, encomendar um box ou receber uma instalação, especialmente aqueles que trabalham durante a semana.
O fim da escala 6x1 não significa que todas as empresas serão obrigadas a fechar aos sábados. O que muda é a organização dos dias de trabalho e de descanso dos funcionários. Uma empresa poderá continuar atendendo nesse dia, desde que organize as jornadas de acordo com a nova legislação e as convenções coletivas aplicáveis.
Para negócios com poucos funcionários, essa reorganização pode ser mais complicada. Uma vidraçaria com apenas um instalador e um ajudante, por exemplo, não tem a mesma facilidade de distribuir folgas que uma empresa com várias equipes.
Por outro lado, empresas que já trabalham exclusivamente de segunda a sexta-feira terão uma adaptação diferente, concentrada principalmente na quantidade de horas disponíveis para executar os serviços.
O QUE PENSAM OS PEQUENOS EMPRESÁRIOS?
Uma pesquisa divulgada pelo Sebrae em abril deste ano mostrou que 51% dos donos de pequenos negócios acreditavam que o fim da escala 6x1 não teria impacto sobre suas empresas. Outros 27% avaliavam que a mudança seria negativa, enquanto 11% esperavam efeitos positivos.
O levantamento ouviu 8.273 empreendedores de diferentes atividades econômicas. Portanto, os resultados não representam especificamente as opiniões de vidraceiros e serralheiros, mas ajudam a compreender como os pequenos empresários estavam enxergando a mudança.
Existe também o outro lado dessa discussão. Quem trabalha diariamente transportando vidros, movimentando esquadrias, realizando instalações e enfrentando deslocamentos entre diferentes obras exerce uma atividade que pode ser fisicamente desgastante. Ter mais tempo de descanso e convivência familiar é um benefício importante para esses profissionais.
O desafio é conciliar esse direito com a capacidade das pequenas empresas de manter suas atividades, seus funcionários e seus compromissos com os clientes.
A própria emenda constitucional prevê a possibilidade de uma futura lei complementar estabelecer medidas de adaptação para microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, condicionadas à manutenção dos empregos. Essas medidas, entretanto, ainda dependem de regulamentação.
O DONO DA VIDRAÇARIA TAMBÉM SERÁ AFETADO?
Uma situação comum no nosso setor é a do profissional que trabalha por conta própria ou administra uma pequena empresa e participa diretamente dos serviços.
Para o vidraceiro ou serralheiro autônomo, que não possui vínculo de emprego, a nova jornada não representa uma redução obrigatória de suas próprias horas de trabalho. O mesmo vale para o proprietário que atua no negócio sem ser empregado.
Entretanto, se a empresa possui funcionários contratados pela CLT, precisará adaptar a jornada desses trabalhadores. E, dependendo da organização do negócio, o próprio proprietário poderá acabar assumindo parte das atividades para manter os compromissos já assumidos.
Ainda não é possível afirmar quanto a mudança custará especificamente às pequenas vidraçarias e serralherias brasileiras. Para isso, seria necessário conhecer quantas empresas utilizam a escala 6x1, quantos funcionários possuem e como distribuem suas horas de trabalho.
O que já sabemos é que a redução da jornada chegou, e cada empresa terá de encontrar uma forma de organizar sua operação dentro das novas regras.
Para nós, do setor de vidro e esquadrias, a discussão vai muito além de abrir ou fechar as portas aos sábados. Ela envolve custos, produtividade, disponibilidade de mão de obra, prazos de instalação e, principalmente, a realidade de milhares de pequenos empresários e trabalhadores que fazem o mercado funcionar todos os dias.
Fontes: Agência Senado, sobre a promulgação da Emenda Constitucional 141/2026; Agência Brasil, sobre os prazos de aplicação; e Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, do Sebrae e Senado Notícias.







