ESQUADRIAS INTELIGENTES E INTERNET DAS COISAS: INSTALADORES, VIDRACEIROS E SERRALHEIROS ESTÃO PREPARADOS PARA ESSA MUDANÇA?

Persianas automatizadas, sensores, comandos por aplicativo e integração com assistentes de voz já fazem parte da realidade das esquadrias. O problema é que muita gente ainda pensa apenas no vidro, no alumínio e na instalação mecânica, e só lembra da elétrica quando a obra já está pronta.
Durante muitos anos, o trabalho com esquadrias foi pensado quase sempre da mesma forma: medir o vão, definir o sistema, escolher vidro, perfil, ferragem, montar, instalar, regular e entregar.
Só que esse mundo está mudando.
A chamada Internet das Coisas, a IoT, começou a entrar de vez nas residências, nos escritórios e também nas esquadrias. Persianas motorizadas, sensores, abertura e fechamento automatizados, comandos por celular e integração com Alexa, Google Home e outros sistemas já deixaram de ser coisa de casa de filme.
E isso cria uma situação muito prática para quem está na obra.
Imagine o seguinte: o cliente tem hoje uma porta de vidro temperado convencional. Resolve trocar por uma esquadria de alumínio com persiana integrada automatizada.
A parte da esquadria você sabe resolver.
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Mas e o motor?
Ele precisa de energia.
Tem ponto elétrico perto? Existe passagem para cabo? Dá para levar alimentação até o local sem quebrar parede, revestimento ou forro? O motor trabalha direto na rede ou usa fonte? Vai precisar de módulo, central, interruptor específico ou algum equipamento adicional?
É aí que muita obra começa a complicar.
Na prática, ainda acontece bastante de toda a instalação ser pensada e a parte elétrica aparecer apenas no final. A esquadria está pronta, a persiana está montada e alguém percebe que é preciso energizar o sistema.
Aí começa a criatividade.
Canaleta passando onde não deveria, fio aparente, extensão, adaptação e outras soluções que resolvem o problema naquele momento, mas que poderiam ter sido evitadas com uma conversa simples antes da instalação.
E não estou dizendo que vidraceiro ou serralheiro precisa virar eletricista.
Não precisa.
Mas precisa entender que essa parte existe.
Se você trabalha com esquadrias automatizadas, talvez seja a hora de ter um eletricista de confiança ou um profissional de automação para trabalhar junto quando necessário. Assim como existem parcerias com marmorista, pedreiro, pintor e outros profissionais da obra, a elétrica começa a entrar nesse pacote.
Porque vender uma esquadria inteligente e depois dizer ao cliente “agora chama alguém para fazer funcionar” pode virar problema para todo mundo.
A esquadria deixou de ser apenas vidro, alumínio e ferragem
Quando entra automação, entram também eletrônica, energia e configuração.
Uma persiana integrada automatizada, por exemplo, pode ser acionada por interruptor, controle remoto, aplicativo ou comando de voz. Dependendo do motor e do sistema escolhido, pode existir ainda integração com sensores de luminosidade, programação de horários ou conexão com outros equipamentos da casa.
Para o cliente, isso parece simples.
Ele aperta um botão ou fala:
“Alexa, feche a persiana.”
Só que antes disso funcionar existe uma instalação inteira por trás.
O motor precisa estar corretamente alimentado, a programação precisa ser feita, os limites de abertura e fechamento podem precisar de ajuste e, em alguns casos, o equipamento ainda terá de ser conectado a uma central, aplicativo ou rede.
É uma etapa nova para parte do nosso setor.
E tem uma pergunta que vale a pena fazer: você lê o manual do motor que está instalando?
Parece uma pergunta boba, mas não é.
Nós temos o costume de aprender muita coisa na prática. Um profissional ensina o outro, o instalador mais antigo mostra como faz, a gente vai pegando experiência e resolvendo os problemas do dia a dia.
Só que, quando entra eletrônica, nem sempre dá para trabalhar apenas dessa forma.
Um motor pode ter programação diferente de outro. Um sistema pode trabalhar com determinada tensão, outro com uma fonte específica. A forma de cadastrar controle remoto, aplicativo ou assistente de voz também muda conforme o fabricante.
Ou seja: o manual técnico começa a fazer parte da caixa de ferramentas.
Não precisa decorar tudo. Precisa saber onde procurar.
E quando o cliente quiser usar Alexa?
Esse tipo de pedido tende a ficar cada vez mais comum.
O cliente compra uma persiana automatizada e pergunta se consegue controlar pelo celular ou pela Alexa.
Qual é a resposta?
Se o produto permite essa integração, alguém precisa saber fazer a configuração ou pelo menos saber orientar corretamente o cliente.
Não adianta instalar a esquadria perfeitamente, deixar o vidro bonito, regular tudo e depois descobrir que ninguém sabe conectar o sistema que foi vendido como “inteligente”.
É justamente aí que aparece uma nova possibilidade de serviço.
Algumas empresas vão preferir treinar alguém da própria equipe. Outras vão criar parceria com profissionais de automação. Tem empresa que talvez nem queira entrar nessa parte, mas ainda assim precisa entender o básico para especificar e instalar corretamente.
O importante é não deixar essa decisão para depois.
A solução começa antes da obra
Na verdade, o melhor cenário é quando essa conversa acontece ainda no projeto.
Se existe a possibilidade de instalar uma persiana automatizada, já se pode prever passagem elétrica, posição de caixas, acesso para manutenção e espaço para os equipamentos necessários.
Isso custa muito menos quando é feito antes.
Depois que a parede está pronta, o revestimento foi colocado, a pintura terminou e a esquadria está instalada, qualquer mudança vira retrabalho.
E vale pensar até nas obras em que o cliente ainda não vai automatizar nada.
Talvez hoje ele queira uma esquadria convencional, mas daqui a dois ou três anos resolva colocar motor, sensor ou algum sistema inteligente.
Será que vale a pena deixar alguma infraestrutura preparada?
Essa é uma conversa que arquitetos, construtores, eletricistas e empresas de esquadrias precisam começar a ter com mais frequência.
A Internet das Coisas chegou ao vão da janela
Quando falamos em IoT, muita gente pensa imediatamente em lâmpada inteligente, câmera, fechadura eletrônica ou televisão conectada.
Mas a esquadria também está entrando nesse ambiente.
Uma janela pode conversar com sensores. Uma persiana pode trabalhar de acordo com o horário ou com a incidência de sol. Sistemas de abertura podem fazer parte de projetos de ventilação e automação predial.
Não significa que amanhã todas as janelas serão inteligentes.
Também não significa que o profissional de esquadrias precise abandonar tudo o que sabe e virar especialista em programação.
Mas significa que vidro e alumínio estão começando a dividir espaço com motores, sensores, aplicativos e sistemas de automação.
Para quem trabalha com instalação, a mudança é mais prática do que futurista.
Na próxima vez que chegar uma esquadria automatizada na sua obra, antes de pensar apenas no vão, no vidro e no perfil, talvez seja bom olhar para a parede e perguntar:
Onde vamos ligar isso?
Essa pergunta simples pode evitar muita gambiarra depois.







