EMPRESA E SENAI CRIAM ESCOLA DENTRO DA FÁBRICA PARA FORMAR VIDRACEIROS

Com 76 alunos e um curso de vidraceiro de 800 horas, iniciativa no Rio Grande do Sul aposta na formação prática para preparar profissionais. Um exemplo que merece a atenção de todo o setor.
Quem trabalha com vidro sabe: encontrar um bom profissional nem sempre é tarefa fácil. E quando aparece alguém interessado em aprender, muitas vezes é o próprio vidraceiro mais experiente que precisa ensinar o serviço, entre um corte, uma instalação e outra.
Mas e se fosse possível preparar esses profissionais dentro de uma estrutura equipada, com professores, máquinas e contato direto com a rotina de uma indústria?
É justamente essa a proposta de uma iniciativa que acaba de ganhar destaque no Rio
Grande do Sul.
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Na quarta-feira, 28 de outubro, a Viprado, em parceria com o Sistema FIERGS, por meio do SENAI-RS, inaugurou o Centro de Excelência Fernando Bolzan, em Antônio Prado, na Serra Gaúcha.
E não estamos falando apenas de uma sala de aula com algumas ferramentas.
O centro funciona dentro da própria fábrica da Viprado, empresa especializada em vidros para a linha branca, e conta com equipamentos utilizados na indústria, incluindo máquinas de corte, centro de usinagem e até um robô de manipulação de vidro.
A ideia é simples: aprender a profissão colocando a mão na massa.

800 HORAS PARA APRENDER A TRABALHAR COM VIDRO
O curso de vidraceiro tem 800 horas de formação, com aulas que vão desde conhecimentos básicos de matemática, medição e segurança até atividades práticas de corte, lapidação e serigrafia em vidro.
A estrutura conta com três salas de aula e uma oficina equipada para aproximar os alunos dos processos de produção.
Atualmente, são 76 estudantes matriculados: 33 no curso de vidraceiro e 43 no de assistente de produção. As aulas começaram em fevereiro, antes mesmo da inauguração oficial do espaço.
Segundo a FIERGS, a formação de aprendizagem industrial básica direcionada especificamente à área do vidro é pioneira no Brasil.
UMA IDEIA QUE NÃO DEVERIA FICAR RESTRITA A UMA FÁBRICA
E aqui vale uma conversa com nossos parceiros vidraceiros e serralheiros.
Quantas vezes você já ouviu alguém reclamar que está difícil encontrar mão de obra? Ou que contratou um ajudante, ensinou tudo do zero e, quando ele finalmente começou a dominar o serviço, acabou saindo da empresa?
A formação profissional é um dos desafios que precisam entrar cada vez mais nas discussões do nosso mercado.
Claro que trabalhar em uma fábrica de vidros para eletrodomésticos é diferente de instalar um box, montar uma fachada ou fabricar uma esquadria de alumínio. Mas a lógica da iniciativa merece atenção: aproximar o ensino da realidade de quem trabalha no setor.
Um profissional que entende de medidas, ferramentas, materiais, processos e segurança já começa sua trajetória com uma base importante.
E isso vale tanto para a indústria quanto para as vidraçarias, serralherias e empresas de beneficiamento.
UMA HISTÓRIA QUE COMEÇOU NO PRÓPRIO SENAI
O projeto começou a ser desenvolvido em 2024, quando a Viprado procurou o SENAI para criar uma formação voltada às necessidades da indústria vidreira.
O centro recebeu o nome de Fernando Bolzan, fundador e presidente da empresa, que estudou no SENAI de Caxias do Sul em 1980.
Quase cinco décadas depois, o empresário participa da criação de uma estrutura destinada a oferecer oportunidades de formação para uma nova geração de profissionais.
Durante a inauguração, Bolzan resumiu um problema que vai muito além da sua empresa:
“Não adianta ter tecnologia sem ter pessoas qualificadas.”
É uma frase que merece atenção.
Afinal, de pouco adianta investir em máquinas modernas, sistemas automatizados e novos equipamentos se não houver profissionais preparados para trabalhar com eles.
E SE OUTRAS EMPRESAS SEGUISSEM ESSE EXEMPLO?
A iniciativa da Viprado e do SENAI não resolve sozinha os problemas de formação profissional do setor vidreiro brasileiro. Mas mostra um caminho interessante.
Em vez de apenas reclamar da dificuldade para encontrar profissionais, uma empresa decidiu participar diretamente da formação deles, com apoio de uma instituição especializada.
E fica uma pergunta para o nosso mercado: por que não ampliar iniciativas semelhantes, inclusive com cursos voltados à realidade das pequenas vidraçarias e serralherias?
Porque o futuro do setor não depende apenas de vender mais vidro, fabricar melhores esquadrias ou comprar máquinas mais modernas.
Depende também de quem vai saber trabalhar com tudo isso.
Fontes: Sistema FIERGS e Rádio Solaris, 28 de outubro de 2026.







