A CONSTRUÇÃO DE BRASÍLIA TROUXE O PERFIL DE ALUMÍNIO PARA O MERCADO
- RODRIGO H. SANDIM
- há 23 horas
- 2 min de leitura

Você já parou para pensar por que o alumínio começou a ganhar espaço na construção civil brasileira?
Hoje ele está em praticamente toda obra. Chega nas vidraçarias e serralherias em barras, vira janela, porta, fachada, guarda-corpo... Parece que sempre fez parte da construção. Mas não foi assim.
Até a década de 1950, quem dominava esse mercado eram a madeira e o aço. O alumínio aparecia apenas em algumas aplicações específicas e ainda estava longe de ser um material comum nas edificações.
A mudança começou na década de 1960. E um dos principais motivos tem nome e sobrenome: Brasília.
A construção da nova capital representou um desafio para a engenharia e para a arquitetura brasileira. Os projetos de Oscar Niemeyer utilizavam grandes áreas envidraçadas, linhas modernas e estruturas que exigiam materiais leves, resistentes e duráveis.
Nesse cenário, o alumínio começou a mostrar seu potencial.
Ao mesmo tempo em que Brasília saía do papel, a indústria nacional passou a investir na produção e na extrusão de perfis de alumínio. Ainda não existiam as dezenas de linhas que conhecemos hoje. Não havia Suprema, Gold, sistemas minimalistas ou fachadas de alto desempenho. Os perfis eram muito mais simples, mas já mostravam as vantagens que fariam do alumínio um dos principais materiais da construção civil.
Quem trabalha em uma vidraçaria ou serralheria conhece bem essas vantagens.
O alumínio é leve, resistente à corrosão, aceita diferentes tipos de acabamento e permite fabricar perfis com grande precisão. Hoje isso parece algo comum, mas há seis décadas representava uma verdadeira evolução para o setor.
Com o passar dos anos, arquitetos passaram a explorar novas soluções. Os fabricantes desenvolveram perfis mais robustos, surgiram novos sistemas de vedação, evoluíram a anodização, a pintura eletrostática e as ligas de alumínio. O vidro também acompanhou essa transformação, permitindo fachadas cada vez maiores e projetos que antes pareciam impossíveis.
Basta comparar um edifício construído na década de 1950 com um empreendimento atual. Hoje é normal encontrar fachadas praticamente inteiras de vidro, portas de correr com grandes vãos e esquadrias de alto desempenho. Naquela época, tudo isso era exceção.
Outra curiosidade é que muitas das primeiras aplicações utilizavam estruturas metálicas revestidas por alumínio. Com a evolução da engenharia e da extrusão, os próprios perfis passaram a desempenhar funções estruturais, reduzindo peso, facilitando a instalação e aumentando a durabilidade das edificações.
O restante da história você conhece.
O mercado cresceu, surgiram novas tecnologias, novas linhas de perfis, novos acessórios e milhares de empresas especializadas em transformar alumínio e vidro em soluções para a construção civil.
Hoje, quando um caminhão descarrega perfis de alumínio na sua empresa, é fácil enxergar apenas a matéria-prima que será transformada em esquadrias.
Mas vale lembrar que boa parte dessa história começou quando Brasília abriu espaço para uma nova forma de construir. A partir dali, o alumínio deixou de ser um material pouco utilizado e passou a ocupar um lugar que nunca mais perdeu na construção brasileira.
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