REFORMA TRIBUTÁRIA: VIDRACEIROS E SERRALHEIROS ESTÃO PREPARADOS?
- RODRIGO H. SANDIM

- 22 de jul.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 2 dias

Enquanto muita gente ainda trata a reforma tributária como um assunto exclusivo de contadores e advogados, a realidade é outra. Ela vai bater na porta de toda empresa do setor de vidro e esquadrias. Da multinacional ao MEI que instala box, ninguém ficará de fora.
O problema é que boa parte das empresas ainda está discutindo apenas a carga tributária, quando a mudança é muito maior do que isso. A reforma altera a forma de calcular impostos, muda regras de crédito, exige adaptação dos sistemas e obriga empresas a reverem processos que, muitas vezes, estão sendo utilizados da mesma forma há décadas.
A pior situação possível seria chegar ao período de transição sem planejamento. Nesse cenário, o risco deixa de ser pagar mais imposto. O risco passa a ser operacional. Empresas podem emitir documentos fiscais de forma incorreta, perder créditos tributários, enfrentar dificuldades de precificação e até comprometer a própria competitividade por falta de preparação.
Por outro lado, existe um lado positivo que muitas vezes fica escondido em meio às discussões políticas. Se a implantação ocorrer dentro do cronograma previsto e as empresas fizerem a lição de casa, a tendência é reduzir parte da complexidade do sistema atual. Menos distorções, regras mais uniformes e um ambiente tributário mais previsível podem facilitar investimentos e planejamento de longo prazo.
Isso não significa que todos pagarão menos impostos. Essa promessa ninguém sério deveria fazer hoje. Alguns segmentos podem ser beneficiados, outros podem sentir aumento de custos. O que já é possível afirmar é que empresas organizadas terão muito mais facilidade para atravessar essa transição do que aquelas que deixarem para entender a reforma apenas quando ela entrar em vigor.
Para o mercado de vidro e esquadrias existe ainda um desafio adicional. A cadeia envolve indústria, distribuidores, beneficiadores, vidraçarias, serralherias e instaladores. Hoje, a maior parte das vidraçarias e serralherias brasileiras está enquadrada no Simples Nacional, enquanto uma parcela significativa dos profissionais atua como MEI. Isso faz com que qualquer mudança nas regras de tributação tenha potencial para atingir justamente a base do setor, onde estão milhares de pequenas empresas responsáveis pela fabricação, instalação e manutenção de esquadrias, boxes, fachadas e coberturas. Uma alteração em qualquer elo da cadeia acaba refletindo nos demais, alterando custos, margens e, inevitavelmente, o preço final para o consumidor.
Essa preocupação também é compartilhada por Carlos E. Backes, CFO do Grupo ALLOYBR. Em artigo publicado no portal Empreenda News, o executivo afirma que a reforma tributária deixou de ser apenas uma discussão legislativa e já começa a exigir mudanças práticas dentro das empresas. Segundo Backes, embora o Simples Nacional continue existindo, ele poderá deixar de ser a opção mais vantajosa para alguns negócios, dependendo da atividade exercida e da forma como cada empresa se relaciona com clientes e fornecedores. Na avaliação do executivo, empresários devem iniciar desde já a revisão de custos, contratos e estratégias, além de atualizar sistemas de gestão e preparar suas equipes para atender às novas exigências fiscais e de compliance.
A discussão, portanto, deixou de ser sobre ser favorável ou contrário à reforma. Ela existe, está em andamento e vai exigir adaptação. A pergunta que cada empresário deveria fazer não é se concorda com ela. A pergunta é: minha empresa está se preparando para operar dentro desse novo modelo tributário?
Acho que agora a matéria conversa muito mais diretamente com o leitor do Jornal do Vidro. Quando ele lê "a maior parte das vidraçarias e serralherias está no Simples Nacional" e "muitos profissionais atuam como MEI", ele passa a se enxergar dentro da reportagem, em vez de sentir que está lendo uma análise genérica sobre reforma tributária.
Leia a coluna completa de Carlos E. Backes no portal Empreenda News:
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