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Jardim Botânico de Singapura tem estufas de vidro gigantes que simulam climas de várias regiões da Terra

 A Maravilhas do Vidro dessa edição está localizada na cidade-estado de Singapura, no continente asiático. Singapura é uma ilha que, junto com outras 63 ilhas pouco habitadas, formam uma cidade independente. De forma bem simples, é como se fosse um país com uma cidade só, formada por 64 ilhas. Conhecida como um dos Tigres Asiáticos, apelido dado às quatro regiões asiáticas que cresceram muito, economicamente, a partir da década de 80, Singapura tem investido na criação de mais áreas verdes visando melhorar a qualidade de vida de seus habitantes. Uma dessas áreas verdes foi inaugurada em junho de 2012. O Gardens by the Bay (Jardins da Baía), é um imenso jardim botânico, ocupando 101 hectares,  com duas estufas de vidro, árvores artificiais gigantes e jardins temáticos ao ar livre. As estufas de vidro, nossas Maravilhas da vez, simulam as condições climáticas de várias regiões da Terra. Na cúpula maior e mais baixa, a Flower Dome (Cúpula das Flores), vivencia-se um clima frio e seco, típico do mediterrâneo na primavera. Já na Cloud Forest (Floresta nas Nuvens), menor e mais alta, reproduzem-se as condições climáticas tropicais das zonas montanhosas, com o clima frio e úmido. Dentro delas estão preservadas mais de 220 mil espécies de plantas.

 Para adquirir o formato de abóbada, utilizou-se a técnica estrutural conhecida como gridshell (grid = grade + shell = casca). Trata-se de um sistema construtivo que combina figuras geométricas, formando uma grade. Através da tensão aplicada na estrutura, cada célula da grade pode adquirir diferentes tamanhos e posicionamentos. Com isso, pode-se obter variados formatos estruturais. O gridshell das estufas foi feito com grades de aço e possui um sistema de cabos e braços articulados ajustáveis, como vemos na ilustração abaixo. 

A principal função do gridshell é possibilitar a construção de estruturas com formatos relativamente livres.  Como o objetivo não é sustentar e sim formatar a construção, os perfis de aço usados para compor as grades possuem espessura necessária para suportar apenas o próprio peso e o da placa de vidro.  

 A resistência da construção fica por conta das colunas externas. A sustentação do gridshell preenchido com vidro é feita pelos arcos gigantes de metal e concreto, que acabam formando “costelas” de aço nas estufas. São elas que resistem às cargas de vento, por isso são posicionadas distantes da armação de aço e vidro.   
 

O preenchimento do gridshell das duas estufas foi feito com placas de vidro de 34 mm, com revestimento de baixa emissividade, capaz de refletir calor. Esse tipo de vidro garante a transmissão de 64 % da luz natural para dentro das estufas, porém, deixa passar apenas 38 % do calor correspondente. No caso da Flower Dome, foram usadas 3332 placas de vidro, com 42 variações de formato e tamanho. 
 

Conhecidos como low-e, os vidros de baixa emissividade são obtidos por meio da aplicação de uma camada metálica, em um dos lados da placa. A camada metálica tanto pode ser adicionada durante a etapa de flutuação (fase do processo de fabricação do vidro float), como depois do vidro já pronto. Além do vidro low-e, há também um sistema de sombreamento retrátil, formado por lonas que ficam escondidas dentro dos arcos de aço e são acionadas sempre que há necessidade. 

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