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História do Vidro no Brasil - parte 1

O vidro no Período Colonial

 

A História do Vidro no Brasil começou quando os portugueses e os nativos brasileiros, popularmente conhecidos como índios, estabeleceram uma interessante transação comercial: o escambo. Os índios forneciam a especialíssima madeira do pau-brasil aos portugueses que, em troca, forneciam objetos mágicos, capazes de “capturar” a imagem das pessoas, talvez até a alma... denominados espelhos. Nessa, todos os envolvidos saíam felizes... ao menos é o que parece! Esse tipo de comércio virou moda no Brasil lá pelos anos de 1549, tanto que, registros históricos dão conta de que Tomé de Sousa, primeiro governador-geral de todas as capitanias e terras do Brasil, foi um dos que trocou, por espelhos e outras bugigangas, não só pau-brasil como também a força de trabalho dos nativos empregada na construção das primeiras edificações da cidade Alta, na Bahia.


O vidro fabricado no Brasil Colonial


Já a produção do vidro, de fato, só chegou ao Brasil em 1637, trazida pelos holandeses. Após a invasão da capitania de Pernambuco, a Companhia Neerlandesa das Índias Orientais nomeou o conde Maurício de Nassau para governar seus domínios em terras brasileiras. Nassau estabeleceu várias medidas para agradar aos donos de engenho de açúcar e conseguir governar tranquilamente. Dentre elas, o incentivo à modernização e à criação de um ambiente cultural parecido com o europeu. Nesse contexto é que alguns artesãos do vidro fundaram a primeira oficina de vidro no Brasil. Nela eram fabricados vidros utilitários como copos, jarros e também vidraças. Tudo através do método de sopro ou prensagem da massa vítrea. Porém, em 1644, Nassau deixou de ser governador. As medidas governamentais de seus substitutos descontentaram tanto o povo pernambucano a ponto de gerar a revolta conhecida como Insurreição Pernambucana. Em 1649, após duras batalhas, os holandeses foram definitivamente expulsos do Brasil e junto com eles foi-se a primeira fábrica de vidros.


Depois que a primeira oficina em terras brasileiras deixou de existir, o vidro consumido na colônia portuguesa passou a ser exclusivamente importado de Portugal, da grande fábrica de vidros Marinha Grande. Em 1785, a rainha Maria I proibiu a construção de fábricas no Brasil, com medo de que o progresso econômico alimentasse ideias de liberdade e independência na principal fonte de renda de Portugal, o Brasil, colônia portuguesa na América do Sul. Com isso, fabricar vidro no país passou a ser proibido, assim como qualquer outro produto manufaturado. 
 

Tudo mudou em 1808, quando a família real portuguesa teve que vir de mala e cuia para o Brasil fugindo das tropas do francês Napoleão Bonaparte, que já dominava meia Europa. A transferência da sede da coroa portuguesa para o Brasil trouxe muitas mudanças. Na economia, o embargo à industrialização terminou e os portos foram abertos ao comércio com outros países. Com isso, uma enxurrada de produtos manufaturados passaram a ser comercializados aqui. O governo imperial não quis ficar pra trás e decidiu incentivar a indústria nacional. O incentivado a fundar uma fábrica de vidros foi o português Francisco Ignácio da Siqueira Nobre. Em 1810, ele não só recebeu a autorização, como também exclusividade no ramo fabril durante 20 anos, empréstimo de dinheiro, concessão de duas léguas de terras no atual povoado de Jiquitaia (Campo Alegre de Lourdes/BA) e isenção do alistamento militar para todos os funcionários da fábrica de vidros. Nobre viajou para a Inglaterra e para Portugal, de onde trouxe artesãos hábeis nas técnicas de fabrico de vidro para finalmente fundar a Primeira Real Fábrica de Vidros da Bahia. Inaugurada em 1812, um ano depois a lista de produtos nela fabricados já era grande, como podemos ver no anúncio publicado em 03/09/1813, no Idade D'Ouro, primeiro jornal impresso na Bahia. 

 

Outra mudança trazida pela corte foi no estilo de vida das pessoas. Hábitos europeus foram introduzidos na vestimenta, na alimentação e também na arquitetura. A adoção do neoclassicismo como estilo arquitetônico oficial da realeza transformou a fachada das casas brasileiras. Por aqui, as janelas populares mesmo, até 1800, eram as gelosias, janelas de madeira como a da imagem abaixo. Para forçar a modernização arquitetônica brasileira, em 1809, o conde dos Arcos, governador da Bahia, proibiu o uso desse tipo de fechamento nos andares superiores com o argumento de que deixavam as casas escuras e feias. Aqueles que não trocassem as gelosias por vidraças eram multados. Esse “pequeno” incentivo, aliado ao fato de que a janela de vidro realmente clareava ambientes, fez com que logo o vidro caísse no gosto popular. Com isso, a Primeira Real Fábrica de Vidros da Bahia teve sucesso durante alguns anos, mesmo concorrendo com os vidros ingleses, mais baratos e de melhor qualidade. O que Francisco Ignácio da Siqueira Nobre não esperava era ter suas instalações totalmente destruídas pelas tropas do General Madeira de Melo, durante uma das batalhas pela independência do Brasil. Mesmo derrotado, o negociante não desistiu, pediu nova autorização e refundou a Real Fábrica de Vidros, em 1825. A segunda empreitada teve sucesso e só desapareceu após a morte do vidreiro português.

 

Com a proclamação da Independência, o Brasil continuou sendo uma monarquia, tornando-se o Império do Brasil. Dom Pedro I, o primeiro imperador brasileiro, concedeu mais permissões para a abertura de fábricas de vidro. E na próxima edição, são elas que nós vamos conhecer:  as fábricas de vidro do Brasil Imperial.​

 

 

escuro ou Tampão

 Um dos primeiros métodos de fechamento de vãos usados no Brasil foi o tampão, também conhecido como escuro, justamente porque ao fechar tudo ficava escuro. Esse método podia ser feito com réguas de madeira lisas ou entalhadas, quando recebiam o nome de almofadas.

 

 

gelosia

As gelosias também eram conhecidas como rótulas, por conta do sistema de abertura com eixo de rotação horizontal, atualmente conhecido como basculante. Posteriormente, o método de entrelaçamento de treliças de madeira também foi utilizado em folhas com abertura à francesa, com folha dupla e eixo de abertura vertical. As gelosias são uma herança da arquitetura árabe que ficou popular em Portugal e Espanha. Formadas por tiras de madeira entrelaçadas, além de proteger da luz e do calor, as gelosias também permitem ver sem ser visto. Por isso, na cultura árabe, os maridos costumavam usar esta janela nos quartos de suas esposas para protegê-las do contato visual com outros homens. Daí a razão da palavra "gelosia" vir do francês jalousies, ou do inglês jealous, significando "ciúmes".

 

janela de pinásio

A partir de 1700, aparecem no Brasil as primeiras janelas com vidro, conhecidas como janelas de pinásios. Pinásio é o nome dado às tiras de madeira, verticais ou horizontais, que separam e sustentam os vidros no caixilho. Nas janelas de pinásio usava-se o sistema de abertura inglês, também conhecido como guilhotina. 

 

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