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História do Vidro - parte 4

O vidro na Idade Média - século V até século XV -  1000 anos de História

 

O fim do Império Romano do Ocidente marcou também o fim da Idade Antiga. Com a queda do Império Romano, a Europa experimentou momentos de crise econômica e instabilidade. É claro que essa crise também influenciou a produção de vidro. Tanto que, durante essa fase, no lado ocidental, pouco desenvolvimento foi acrescido às técnicas de fabricação vidreiras.

 

Porém, do lado oriental, nos domínios do Império Bizantino (a parte que sobrou do Império Romano) a tradição foi mantida, preservando o patrimônio artístico e cultural do Império Romano do Ocidente. Isso porque, Constantinopla, capital de Bizâncio, tornou-se o refúgio de vários artistas e artesãos romanos, entre eles os vidreiros. Ali, seus ofícios foram protegidos e incentivados pelos governantes. Dessa forma, a arte vidreira continuou desenvolvendo-se e sendo enriquecida pelas influências gregas e árabes. Até que começou a Quarta Cruzada.

 

Voltando para a Europa

 

De Bizâncio, a arte do vidro só voltou ao Ocidente a partir do século 13. Veneza, na Itália, tornou-se o refúgio da vez para os artesãos que vieram de Constantinopla fugindo dos combates durante a Quarta Cruzada. Com isso, a cidade italiana transformou-se no grande centro vidreiro europeu. Dessa fase em diante, a fabricação de vidro passou a ser um assunto secreto. Fórmulas eram deixadas como herança. Novas técnicas e descobertas eram mantidas em sigilo, de forma que somente alguns artesãos sabiam criar certas peças ou aplicar determinadas técnicas. A coisa foi ficando tão séria em Veneza, o vidro foi ganhando tanto prestígio como atividade econômica, que chegou uma época em que artesãos estrangeiros eram proibidos de entrar na cidade para impedir que eles descobrissem técnicas e começassem a aplicá-las também. 

 

Segredo bem guardado

 

O ponto alto dessa tentativa de manter o segredo do vidro veneziano bem guardado foi a transferência, em 1291, de toda a indústria vidreira para a ilha de Murano. Na pequena ilha era bem mais fácil controlar quem entrava e quem saía, garantindo que as fórmulas secretas continuassem secretas. 

 

Entretanto, há quem diga que a mudança para Murano aconteceu por uma razão bem menos secreta, aliás, bastante evidente para quem vivia em Veneza. Na verdade, todos os vidreiros de Veneza foram obrigados a mudar-se para a ilha porque o funcionamento dos fornos vinha provocando muitos incêndios na cidade, cujas construções eram quase que exclusivamente de madeira.  A solução para acabar com o risco recorrente de mais e mais incêndios era confinar tudo que era vidreiro na ilha de Murano. Por uma razão ou por outra, talvez pelas duas, o fato é que a estratégia deu certo.  Trabalhando na ilha de Murano, os mestres venezianos ganharam fama em toda a Europa com seus vasos, frascos, garrafas, copos, compoteiras, espelhos, lentes e chapas de vidro.

 

O sucesso e a força da manufatura veneziana impulsionaram outros centros de produção, como a França, Alemanha, Bélgica e Boêmia. Novas técnicas foram desenvolvidas e diversos objetos de vidro fundamentais na vida contemporânea foram criados durante a Idade Média.

 

O espelho de vidro

 

Até o século XIV, os espelhos eram fabricados quase que exclusivamente em metal. Porém, os artesãos venezianos descobriram e aprimoraram um método de fabricação de espelhos, criado na China, que utilizava uma combinação de estanho e mercúrio no revestimento do vidro. O método era bastante complexo e tinha um alto custo. Mesmo assim, compensava pela alta qualidade refletora dos espelhos fabricados. Com isso, Veneza se tornou um centro de referência na fabricação de espelhos de alta qualidade. 

 

O cristal e a óptica

 

Um dos fatores que mais contribuíram para a fama do vidro veneziano foi a descoberta de um processo para a criação de um vidro com alto teor de pureza e transparência, denominado cristallo, no início do século XIII. A partir dessa descoberta, tornou-se possível a fabricação de lentes e prismas ópticos para a fabricação de binóculos, óculos e lunetas. Com isso, o maior enfoque dos vidreiros venezianos passou a ser a fabricação de um material cada vez mais transparente e homogêneo. Já que, essas características afetam diretamente as propriedades ópticas do vidro.

 

AS TÉCNICAS DE FABRICAÇÃO DE PLACAS DE VIDRO NA IDADE MÉDIA 

 

Sopro e rotação de forno

 

No início da Idade Média, entre os anos 500 e 600, para fabricar uma placa de vidro, o artesão usava a cana de sopro para fazer uma esfera oca que era levada ao forno para ser ampliada por meio da rotação do forno. O processo se repetia até formar uma lâmina de vidro plana e relativamente uniforme. Essa técnica foi muito usada até o século XIX para fazer vidraças.

 

Vidro moldado à rolo

 

Posteriormente, por volta de 1300, a técnica de fabricação de vidro moldado à rolo foi introduzida em Veneza, trazida do Oriente, através das Cruzadas. Nesse método, as lâminas de vidro eram obtidas derramando o vidro fundido em uma superfície plana para depois alisar com um rolo e finalizar com o polimento dos dois lados da placa.

 

 

Cilindro soprado

 

No século XI, vidreiros alemães desenvolveram essa técnica para fazaer folhas de vidro para janelas. Mais tarde, ela foi adotada pelos venezianos e também pelos ingleses. A fabricação de placas de vidro por esse método (1) começa com o sopro de uma esfera de vidro. (2) Em seguida, podem ser adotados diferentes procedimentos para se chegar ao cilindro de vidro. Um deles é fazer movimentos giratórios com o cano de sopro sobre uma superfície lisa ao mesmo tempo em que se faz o sopro. Outra opção é fazer o sopro dentro de um espaço cilíndrico, o formato que se deseja obter. Há ainda uma terceira técnica que consiste na utilização de um maçarico como cano de sopro. O instrumento é ritmicamente balançado em um poço profundo até obter formas alongadas. (3) Na sequência, para qualquer desses procedimentos, as extremidades eram cortadas e (4) também era feito um corte lateral no cilindro. A peça cortada, que chegava a medir 50 cm de diâmetro por até três metros de comprimento, era então colocada num forno, a estendeira, onde seria desenrolada para formar uma folha de vidro plano.  

 

 

 

Crown Glass (vidro coroa)

 

O processo de fabricação de placas de vidro pela técnica de coroa surgiu na França e foi muito popular até o século XIX. As vidraças fabricadas por meio dele eram facilmente identificadas devido à marca deixada pelo cano de sopro, como podemos notar na janela na imagem acima. O método funcionava assim: (1) com o cano de sopro, o artesão fazia uma esfera oca do maior tamanho possível. (2) Sempre mantendo a rotação do cano de sopro, para não deformar a peça, a esfera era achatada. Em seguida, com a ajuda de outro artesão, podiam ser adotados dois procedimentos: fixar outra haste na extremidade oposta à que está o cano de sopro; ou, simplesmente, (3) fazer uma abertura no centro da base da esfera de vidro. Nesse momento, a esfera tomava a forma de uma coroa, daí o nome da técnica. (4) Nos dois casos, seguia-se girando até obter uma chapa de vidro circular.

 

E o vidro chegou para ficar

 

Durante a Idade Média, a cultura do vidro foi totalmente difundida. Não só o prestígio dos artesãos vidreiros era amplamente reconhecido pela sociedade, como a aplicação do vidro no uso doméstico, na decoração, na joalheria, na perfumaria, na ótica e na arquitetura estava plenamente consolidada. O vidro definitivamente se tornou a solução mais prática e esteticamente atraente para muitos segmentos.   

                                                                                                    

Com toda essa popularidade, a descoberta de novas e aperfeiçoadas técnicas passou a ser cada vez mais valorizada. Métodos de fabrico de vidro tornaram-se assuntos de especialistas protegidos a todo custo da espionagem industrial. Conta-se que roubo e suborno aos detentores das técnicas eram situações relativamente comuns. A técnica de coroa, por exemplo, foi obtida dos franceses pelos ingleses mediante o uso dessas estratégias ilícitas. 

 

Novos horizontes

 

Os métodos desenvolvidos até o fim da Idade Média para fabricação de chapas de vidro já representavam um grande avanço. Porém, resultavam em vidro fino, fraco e irregular, inadequado para aplicações que exigissem resistência. Era preciso avançar ainda muito mais. Outra necessidade era aumentar a produção, criando processos de produção contínuos e mecanizados. A produção de vidro plano por meio de sopro de cilindro e disco rotativo (vidro coroa), os mais populares até então, não apresentavam possibilidade de mecanização da produção. Portanto, descobrir uma maneira de criar uma linha de produção contínua e produzir um vidro mais resistente eram os principais objetivos dos vidreiros da Idade Moderna. E eles conseguiram atingir seus objetivos. Mas, essa história a gente só conta na próxima edição!

Fontes de consulta:

https://www.pilkington.com

http://www.resol.com.br/

http://www.restorationglass.com/

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