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História do Vidro – parte 3

 Na última edição, falamos de duas civilizações que se destacaram no percurso histórico do vidro pelas descobertas e melhorias acrescentadas às técnicas de trabalho com esse material, os fenícios e os egípcios. Pra facilitar nosso entendimento e continuarmos contando a história do vidro, vamos nos localizar no tempo. Mas, como? Olha só, os historiadores, pra contar a nossa história, a dos seres humanos aqui na face da Terra, encontraram um jeitinho de deixar as coisas mais fáceis de entender dividindo tudo que já aconteceu até hoje em períodos históricos. A Idade Antiga ou Antiguidade, que vai de 4.500 anos antes do nascimento de Cristo (a.C), quando a escrita foi inventada, até 476 anos depois do nascimento de Cristo (d.C), quando o Império Romano foi desintegrado; é justamente a fase da história ocidental em que aconteceu quase tudo que estamos contando sobre o vidro até agora.

 

Os donos do pedaço

 

Nessa fase da história da humanidade era muito comum uma civilização ser dominada por outra mais poderosa. Invadia-se uma região, travava-se uma guerra e quem ganhava ficava com aquele pedaço de terra pra ele, não importa se já tinha gente vivendo ali. Aliás, esse pessoal que já vivia no lugar invadido era “gentilmente convidado” a pertencer ao grupo invasor. Isso era realmente comum. Por exemplo, Alexandre, o Grande, também conhecido como Alexandre Magno, foi um grande conquistador de territórios. Ele foi rei da Macedônia e resolveu livrar seus vizinhos do domínio persa. Então, durante seu reinado, de 323 a.C a 336 a.C, travou algumas batalhas com os persas e conseguiu dominar um baita pedaço de chão.

 

O Império do Vidro

 

Inclusive o Egito e a Fenícia fizeram parte da Macedônia. No Egito, por exemplo, a cidade de Alexandria foi fundada por Alexandre Magno. Aliás, Alexandria tornou-se um importante centro de comercialização de artigos de luxo, dentre eles o vidro. A região atraia comerciantes de todas as outras regiões. Muitas técnicas foram desenvolvidas ali, como a de lapidação, a esmaltação, a decoração com vidro, além da mais revolucionária até então, a técnica de sopragem, como já falamos na edição anterior, foi descoberta na Alexandria, no século 100 a.C. Mas aí o Alexandre já tinha morrido e quem dominava toda a região e mais um pouco era o Império Romano. Pra falar a verdade, os romanos criaram o maior império da Idade Antiga, chegando a ocupar mais de cinco milhões de quilômetros quadrados, numa área que hoje é ocupada por quarenta países. Além disso, chegou a ter uma população de mais de 70 milhões de pessoas, o que correspondia  a 21% da população mundial da época. 

 

O vidro se torna uma atividade artística muito valorizada

 

Mas, o que isso tem de importante pra história do Vidro? Vejamos: Roma, a capital do Império Romano,  já conhecia muito bem as técnicas de trabalho com vidro, inclusive, com a ampliação de seus domínios, incentivou a construção de fábricas de vidro nos povoamentos por eles dominados. Quem já fazia vidro, como os fenícios, os egípcios, os gregos, ente outros povos, continuaram fazendo. Só que, com os romanos, a fabricação de vidro começou a ganhar um status, se tornar uma atividade artística muito valorizada. Tanto que, ocorreu uma divisão dos produtos fabricados em vidro: os trabalhos mais elaborados, de alto nível e maior valor, destinados a ser vendidos para as pessoas mais ricas de Roma, tornou-se especialidade de algumas regiões produtoras de vidro, como Alexandria que já era um local onde concentravam-se os maiores especialistas na arte vidreira. Já a produção de vidro utilitário ficava a cargo das outras regiões do Império Romano.

 Exemplares de vidros utilitários romanos expostos no Museu de Lisboa, em Portugal.

 

Quando o Império Romano passou a dominar o pedaço, eles impuseram seus costumes e sua visão de mundo aos povos dominados, o que era uma mania deles. Nessa de impor costumes, o estilo de vida ditado por Roma, a capital do Império, obrigatoriamente tinha que ser seguido em todos os povoamentos que faziam parte do Império Romano.  Um hábito romano que foi espalhado por todo o império foi a substituição de todos os utensílios de mesa - como pratos, copos e tigelas, antes fabricados em argila ou metal, por peças de vidro. Portanto, todo mundo passou a usar copo, prato e demais vasilhas de vidro produzidos pelo pessoal responsável pela fabricação de vidro utilitário. Com um império tão grande dá pra imaginar que o uso do vidro se expandiu muito.

 

 

 

 

 

Copo romano datado do século I d.C., fabricado por meio da técnica de vidro soprado, em exposição no Museu de Arte de São Paulo (MASP).

 

Romanos: os primeiros a usar o vidro para fazer janelas

 

Mas, não parou por aí! Os romanos que fabricavam vidro utilitário foram os primeiros a encontrar um jeito de fazer uma placa de vidro para ser usada como janela. O primeiro método empregado por eles para fazer uma placa de vidro era assim:

 

1º - Derramava-se o vidro fundido sobre uma superfície lisa de pedra, madeira ou barro;

2º - Em seguida, achatava-se a pasta vítrea com a ajuda de um bloco de madeira úmido;

3º - Depois, retirava-se o bloco de madeira e o disco resultante era novamente levado ao forno, para ser reaquecido de forma controlada. Aquecia-se de um lado e puxava-se com a pinça do outro, até que chegar ao resultado desejado, uma placa de vidro.

 

Parece simples, mas, não é não! Mark Taylor e David Hill são dois ingleses que pesquisam as técnicas e produção de vidro na Roma Antiga. À pedido do Museu de Londres, eles reproduziram essa técnica de fabricação romana, inclusive, usando exatamente as mesmas matérias-primas: soda, cal e sílica. Segundo eles, o terceiro passo é o mais difícil, só depois de várias tentativas e muitas placas esquisitas é que foi possível esticar o vidro da maneira certa.

 Placa de vidro produzida por Mark Taylor e David Hill,

por meio da técnica de vidro fundido.

 

Os mosaicos romanos

 

Outra divisão na produção vidreira se deu em relação às técnicas empregadas. Quem fazia vidro utilitário se valia principalmente da técnica de sopragem, pois ela possibilitava a produção em maior escala e de forma mais rápida. Já quem fazia vidro artístico lançava mão de técnicas mais elaboradas e complexas. Os mosaicos, por exemplo, eram grandes painéis com representações de cenas ou desenhos feitos com tesselas de vidro, ou seja, pequenos pedaços de pasta vítrea em formato quadrangular com os quais se fabricavam os mosaicos romanos e bizantinos. As pecinhas eram organizadas pelo artesão e fixadas à parede com uma mistura a base de cal. Para fazer tesselas de ouro ou prata, eram aplicadas camadas de vidro em pó sobre folhas desses metais que, em seguida, eram levadas ao forno, assim, o pó de vidro se dissolvia formando uma camada protetora transparente. Finalmente, o material era cortado em pedaços pequenos, as tesselas. Os mosaicos são os precursores dos vitrais, as imensas vidraças confeccionadas com pedaços de vidro polido, de até 15 cm de diâmetro, rejuntados com tiras de chumbo e fixados nas construções formando obras de arte em formato de janelas. Tanto os mosaicos como os vitrais eram usados para contar as passagens bíblicas de forma ilustrada, já que, a grande maioria da população não sabia ler.

 Mosaico romano, datado do século IV, em exposição no Museu Nacional de Arte Romana, em Mérida, na Espanha.

 

Vaso Portland, em vidro camafeu,datado entre 5-25 d.C.,exposto no Museu de Londres.

 

Os romanos da Alexandria desenvolveram tanto as técnicas de trabalho com vidro que chegaram ao ponto de produzir vidro imitando trabalhos originalmente feitos com pedras preciosas, como o vidro camafeu, que tratava-se de uma técnica alternativa para os vasos de joia esculpida em estilo camafeu, nos quais eram utilizadas gemas semipreciosas como ônix e ágata. O estilo camafeu (do latim Cammaeus, que significa pedra esculpida) é uma técnica de escultura geralmente usada em joias de modo a formar uma figura em relevo. No caso do vidro a gravura era esculpida com brocas nas camadas de vidros de diferentes cores, geralmente com figuras brancas em vidro opaco ou em um fundo de cor escura.

 

O estilo camafeu, tradicionalmente empregado em joias, consiste na confecção de pingentes e broches por meio do entalhamento de gravuras em pedras preciosas. Esses pingentes eram as joias mais cobiçadas da época e elas eram, e são ainda hoje, conhecidas pelo nome da técnica empregada, camafeu.

 

Já vimos que o Império Romano deixou importantes contribuições para a história do vidro. Durante o Império Romano a produção e a utilização do vidro tiveram um grande desenvolvimento, tanto do ponto de vista artístico como utilitário. Foram eles os primeiros a usar o vidro para fazer janelas. Porém, em 476 d.C., o Império Romano foi desintegrado, passando o domínio ao Império Bizantino. Os historiadores consideram o fim do Império Romano como marco do fim da Idade Antiga e o começo da Idade Média. Aliás, a Idade Média será o cenário da História do Vidro na próxima edição. Vamos descobrir que nessa fase os vidreiros italianos começaram a querer manter em segredo as novas técnicas de fabricação que iam sendo descobertas. Há quem diga até que eles inventaram uma desculpa de que os fornos ofereciam risco de incêndio às cidades por isso tiveram que se mudar para a ilha de Murano, onde o controle de entrada e saída de mestres vidreiros era muito rígido garantindo que os segredos do vidro ficariam mais protegidos. Mas fiquem tranquilos, o segredo deles ficará guardado só até a próxima edição, ok!?

Fontes de pesquisa:

O vidro, de Giovani Mariacher

História Ilustrada das Antiguidades

www.romanglassmakers.co.uk

www.usp.br/fau/deptecnologia/docs/bancovidros 

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