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História do vidro - parte 2

Na primeira parte da História do Vidro, publicada na edição anterior, relembramos a existência do vidro natural, a obsidiana, e contamos a lenda sobre o descobrimento, pelos fenícios, da mistura que resultaria em vidro, relatada pelo historiador Plínio, o Velho.  Estamos tratando como lenda porque é o que parece, afinal, aparentemente, não tem como uma fogueirinha na beira do rio chegar a 1500º, a temperatura de fusão do vidro, e fundir areia com natrão gerando o primeiro vidro produzido pelo homem.

 

Só que, há cientistas que dizem que é possível ser verdade sim. Um cara chamado Shelby analisou a história do Plinio e chegou a conclusão de que a mistura do sal marinho, mais alguns restos de ossos possivelmente presentes nos pedaços de madeira usados pra fazer a fogueira sobre a areia, na beira da água salgada do mar Mediterrâneo (porque pro Shelby o Plínio pode ter se confundido, não era às margens do rio Belus e sim na beira do Mar Mediterrâneo que a coisa toda aconteceu), pode ter reduzido suficientemente o ponto de fusão do vidro e gerado condições reais de se produzir um vidro bruto e de baixa qualidade, ainda assim vidro. Depois disso, os fenícios passaram muito tempo tentando reproduzir o fenômeno de forma que o resultado fosse um vidro melhorzinho.

 

Olha só...estamos falando tanto dos fenícios e agora vamos colocar os egípcios na jogada, porque eles também acabaram criando uma cerâmica com acabamento vítreo, a faiança egípcia, e desenvolvendo muito as técnicas vidreiras depois disso.  Mas, antes de continuar contando essa história, pra gente se situar melhor, é importante contar quem foram esses povos. Vamos fazer um resumo bem rápido, ok?!

 

Os fenícios foram uma civilização que surgiu há uns 5000 anos e viveu seu auge entre 1200 a.C. e 300 a. C.. A Fenícia localizava-se numa região da Ásia onde atualmente é o Líbano, às margens do mar Mediterrâneo, ocupando toda a faixa litorânea do atual Líbano mais um pedaço da atual Síria. Como eles não tinham terra fértil disponível para agricultura, tornaram-se grandes comerciantes marítimos, vendendo principalmente o cedro do Líbano e tecidos coloridos com púrpura, um corante extraído de um molusco chamado múrice, muito abundante no litoral ocupado por eles. O pessoal da elite na Antiguidade usava roupas coloridas com púrpura para se diferenciar, era a cor da realeza. E nessa os fenícios se davam bem, porque eles vendiam essa iguaria. Só que, os fenícios não vendiam só isso. Também vendiam a tecnologia de fabricar embarcações aos outros povos da região. Além disso, também desenvolveram algumas oficinas artesanais, as fábricas da época, onde produziam artefatos de metalurgia como armas de bronze e ferro, joias de ouro e prata e estátuas religiosas; e as peças feitas em  vidro, o protagonista da nossa história.

 

O alfabeto fenício

 

Uma coisa interessante sobre os fenícios é que por comerciarem com muita gente, eles desenvolveram um sistema de escrita mais prático que os utilizados até aquela época para fazer os registros financeiros. Para se ter uma ideia, um dos métodos de escrita mais populares nesse período era o cuneiforme, que era muito difícil de decifrar porque tinha mais ou menos 2000 sinais. Imagina decorar tudo isso? Aí, os fenícios simplificaram a coisa, criando uma escrita que combinava de várias formas apenas 22 sinais gráficos. A primeira letra se chamava aleph e a segunda beth, por isso resolveram dar o nome de alfabeto. O alfabeto fenício ficou tão popular que os gregos copiaram e adaptaram, depois, os romanos também fizeram o mesmo e criaram o alfabeto latino, que é o que nós usamos hoje em dia aqui no Brasil e em muitos outros países.   

 

Embora a região onde está o Egito tenha sido povoada desde muito antes, a reunião dos povos que ali habitavam para formar uma única civilização também surgiu por volta de 5000 anos atrás. Porém, enquanto os fenícios ocupavam uma beiradinha da Ásia, às margens do Mar Mediterrâneo, os egípcios ocupavam uma extensão territorial bem maior, na África, com uma parte do litoral banhado pelo Mar Mediterrâneo e outra pelo Mar Vermelho. A economia do antigo Egito baseava-se na agricultura e na produção de objetos artesanais. Apesar de estar numa região desértica, os egípcios  aglomeraram-se às margens do Rio Nilo e ali desenvolveram sistemas de irrigação e plantio muito modernos para a época, tornando a agricultura sua atividade econômica principal. Mas não era só isso, os egípcios também se dedicavam ao comércio marítimo, vendendo produtos fabricados nas oficinas de artesãos, como cerâmicas, armas e tecidos. Aliás, os egípcios desenvolveram alguns tipos de cerâmica artesanal, dentre eles, a faiança, uma cerâmica que apresentava um acabamento vitrificado. A princípio, a faiança foi a precursora na arte vidreira desenvolvida pelos egípcios, que depois aperfeiçoaram muito as técnicas e métodos de produção de vidro.

 

 Mapa com a localização da Fenícia e do Egito

 

Atualmente, a fórmula básica do vidro é soda, cal e sílica. Mas, diferentes substâncias podem ser acrescidas à mistura e diferentes técnicas de produção podem ser aplicadas, de forma que o material produzido adquira diferentes características. Por exemplo, o vidro temperado é um tipo de vidro considerado mais resistente e seguro que o convencional. O que o diferencia dos demais é o método de produção, que prevê um aquecimento 150º acima do ponto de moldagem e um resfriamento imediato. O resultado é um vidro que, em caso de quebra, produz pequenos cacos retangulares que diminuem muito a chance de ferimentos graves, além disso, é mais resistente à quebra e às variações térmicas.

 

Para se chegar às técnicas modernas de fabricação de vidro, muitas coisas foram acrescidas e muitos processos foram testados na sua produção. Os egípcios, por exemplo, inicialmente produziram vidro meio sem querer também, e nem era um vidro puro, era um efeito vítreo que recobria a faiança, uma espécie de cerâmica. Segundo os autores dos Cadernos Temáticos de Química na Escola, na edição “Vidros”, supõe-se que a “presença acidental de areias ricas em cálcio e ferro, combinadas com carbonato de sódio, poderia ter sido o resultado das coberturas vitrificadas, observadas nas peças daquela época”.  Um tempo depois, os egípcios começaram a produzir o vidro puro e acrescer cobalto e cobre para dar colorações ao material.

 Hipopótamo egípcio elaborado em faiança 

 

A descoberta pelos fenícios e as técnicas egípcias foram desenvolvidas por volta de cinco mil anos atrás. Só 200 a. C., ou seja, há 2214 anos é que os artesãos sírios, da região onde era a Fenícia, desenvolveram a técnica de sopragem. Essa maneira de fazer vidro representou um grande avanço, porque, até então, as peças de vidro eram moldadas com as mãos, de forma rudimentar. A técnica de sopragem consiste na colocação de um tubo de ferro com mais ou menos 1m de comprimento e 1 cm de diâmetro, dentro do forno com a massa de vidro fundida, retirando um pouco dessa massa e assoprando na outra ponta do tubo, de forma que se produza uma peça oca. Nessa mesma época, também aliou-se a técnica de sopragem aos moldes de madeira na fabricação de peças de vidro, isto é, o sopro era feito dentro de moldes de madeira, gerando a possibilidade de se fabricar em série as peças de vidro.

 Representação egípcia da técnica de sopragem de vidro 

 

Até então, ainda não se conhecia o vidro incolor, tão comum hoje em dia. Os vidros eram sempre coloridos, azulados pelo cobalto ou esverdeados pelo cobre. Porém, no ano 100 da nossa era, na cidade egípcia de Alexandria, as técnicas de produção de vidro já encontravam-se bastante avançadas. Os fornos alcançaram um grande avanço tecnológico para época, pois eram  capazes de atingir altas temperaturas e, além disso, os meios de controle da temperatura foram aprimorados. Essas melhorias, aliadas à adição de óxido de manganês à mistura de substâncias que compunha o vidro, não só permitiram uma fusão mais eficiente das substâncias constituintes e um significativo aumento na qualidade do material fabricado, como a produção do primeiro vidro incolor.

 Vaso fenício em vidro colorido, datado do século V a.C., nessa fase ainda não havia sido desenvolvida a técnica de sopragem.

Vaso fenício elaborado a partir da técnica de sopragem - século I d.C.

 

Já caminhamos alguns séculos na história do vidro e chegamos à nossa era, estamos no ano 100. Na próxima parte, vamos para o período em que o vidro ganhou prestígio e se tornou um artigo de luxo, durante o Império Romano. A arte de trabalhar com vidro ganhou tanto requinte e esmero que tornou possível a imitação de pedras preciosas com extrema perfeição e a elaboração de joias idênticas às originais. Além disso, vamos falar da técnica de produção dos impressionantes vitrais das igrejas medievais. Na verdade, essa arte era tão popular na época que não era encontrada somente nas igrejas; palácios e residências também tinham seus vitrais. Nosso encontro já está marcado...até a 3ª parte da História do Vidro, aqui, no “Jornal do Vidro”.

Fontes de Consulta: 

Cadernos Temáticos de Químca na Escola - Vidros

Autores: Oswaldo Luiz Alves, Iara de Fátima Gimenez e Italo Odone Mazali

Disponível em:

http://lqes.iqm.unicamp.br/images/pontos_vista_artigo_divulgacao_vidros.pd

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