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De representante comercial a referência no mercado vidreiro

Histórias de empreendedores de sucesso são sempre inspiradoras. Ouvir ou ler uma dessas histórias muitas vezes serve de incentivo para seguir com afinco e dedicação em nossa própria caminhada rumo ao sucesso. No mercado vidreiro, assim como em outros, há muitas empresas que tem nos bastidores uma dessas pessoas, até mesmo um grupo delas, com uma dessas trajetórias bonitas de se ouvir...ou escrever, para você ler!

 

Hoje, vamos contar uma dessas histórias. Para isso, fomos conversar com o Gerson José, sócio proprietário da Sulglass, uma das têmperas campeãs no atendimento ao varejo vidreiro curitibano. Nosso bate papo aconteceu na sede da empresa, situada na rua Padre Dehon, nº 600, no bairro Hauer, em Curitiba/Pr. Gerson nos recebeu, muito cordialmente, para falar um pouco da história da Sulglass, que nasceu em 2006, fruto de sua visão empreendedora aliada a dos, até então, amigos, Luciano Carvalho e Fábio Cardoso, proprietários da Pacre, portanto, já atuantes no ramo de acessórios para vidros temperados.

 

A Sulglass foi fundada em 2006, porém, iniciou efetivamente as atividades de têmpera de vidro em 2007, com um pequeno forno de pinça. Gerson nos contou que o começo não foi nada fácil, porque ele e os sócios praticamente não conheciam nada sobre fabricar vidro temperado. O conhecimento que tinham era relacionado aos componentes e acessórios para vidro temperado, em função da experiência dos sócios na gestão da Pacre. Conforme nosso entrevistado, na parte de têmpera, se partiu do zero, pois eles eram totalmente crus e foram se desenvolvendo até chegar ao nível que se encontram atualmente, uma das maiores têmperas paranaenses. Vamos conhecer essa história? Acompanhe a entrevista a seguir:

 

Jornal do Vidro - O que você fazia antes de ingressar no mercado do vidro temperado? E, como ocorreu essa vinda sua para o ramo vidreiro, quem te incentivou?

 

Gerson - Eu era representante comercial no ramo alimentício, e, antes disso, era bancário. Minha carreira como representante comercial já estava consolidada, já havia acumulado uma grande carteira de clientes e atendia quase todas as churrascarias curitibanas. Porém, para mim, era um segmento que já não apresentava desafios, não tinha mais para onde crescer. Então, num dia do mês de julho de 2006, eu e o Luciano, um dos sócios-proprietários da Sul Glass, estávamos almoçando em uma churrascaria quando ele me contou que tinha planos de montar uma têmpera. Como eu já estava procurando um negócio para investir, imediatamente afirmei que se ele precisasse de um sócio o negócio estava fechado, porque eu seria seu sócio.

 

Jornal do Vidro - Você não teve medo de mergulhar no incerto?

 

Gerson - Não, não tive. Nos vários anos como representante consegui construir um capital e decidi que era o momento de investir.

 

Jornal do Vidro - Mas, eu pergunto porque o Luciano é de uma empresa vitoriosa, mas, em 2006, não era uma empresa consolidada ainda, não tinha o nome que tem hoje, e ele não tinha uma experiência com têmpera...

 

Gerson - Exatamente. Mas, conhecendo a empresa dele e a forma como ele trabalhava, foi o suficiente para decidir investir no projeto de montar uma têmpera. Inclusive, na época eu pensava em montar uma transportadora, tinha planos para isso. Mas, quando o Luciano me falou sobre a têmpera e que precisava de um sócio, optei por isso e na mesma hora já começamos a por em prática as primeiras ações, em agosto já vimos o espaço para montar a empresa e desde então o negócio deslanchou.

 

Jornal do Vidro - Então, já foi possível perceber que um dos motivos que te trouxe para esse mercado, dando uma guinada na sua vida profissional, foi a influência de um amigo. Mas, porque você acreditou que o vidro seria o caminho? Foi somente pela influência do Luciano, que já tinha grande vivência no ramo de acessórios para vidro, ou não, teve outros fatores?

 

Gerson - É...uma parte foi por influência dele sim. Mas, também tenho outros amigos que já trabalhavam com instalação de vidro temperado e eu via que era um segmento que tinha muita demanda e poucas empresas preparadas para atendê-la. A demora no atendimento era uma reclamação constante por parte dos instaladores que eu conhecia, ou seja, havia uma deficiência de mercado e a qualidade do atendimento nas têmperas não era satisfatória.

 

Jornal do Vidro - Vamos voltar lá em 2006 e contar um pouco sobre como tudo começou?

 

Gerson - A gente começou com oito pessoas. Nosso maquinário inicial era uma pequena lapidadora, uma furadeira, uma lavadora e compramos um forninho de têmpera vertical. Em seguida, também compramos um caminhão pequeno, de segunda mão. Porém, o mais complicado era conseguir mão-de-obra especializada. Contratamos três ex-funcionários de outras têmperas, e fomos treinando os outros profissionais até conseguirmos atingir um nível bom de qualidade, o que não é nada fácil.

 

Jornal do Vidro - E na parte administrativa e financeira existiram dificuldades? Se existiram, como foram superadas?

 

Gerson - A parte financeira é muito difícil, porque você compra o vidro à vista, mas, tem que vender a prazo. E a única forma de superar isso, inicialmente, foi injetando recursos. Na verdade, nos três primeiros anos, foi necessário somente investir recursos próprios para que conseguíssemos manter o negócio ativo.

 

A EVOLUÇÃO DA SULGLASS

 

Jornal do Vidro - Quando vocês resolveram investir mais forte em máquinas e equipamentos? Ou seja, quando o negócio começou a expandir e surgiu a necessidade de maiores investimentos em tecnologias mais avançadas?

 

Gerson - Bom, como já comentamos, no começo usamos os equipamentos da USE-MAK. Já em 2008, meu sócio, o Luciano, foi para China e então começamos a importar equipamentos de lá.

 

Jornal do Vidro - Nesse momento, você chegou a ficar apreensivo? Já que, como você não era desse ramo e não conhecia tão bem as etapas pelas quais passaria o empreendimento até chegar ao que é hoje, poderiam surgir dúvidas, incertezas, talvez arrependimentos quanto ao investimento feito no negócio.

 

Gerson - É, de fato não conhecia a fundo, e de repente se poderia pensar que talvez tivesse investido num negócio que não valesse a pena. Apesar disso, a gente sabia que era uma coisa boa, que geraria vendas porque era um mercado que tinha muita demanda e estava sempre em crescimento. Porém, também sabíamos que era necessário aperfeiçoar isso, que necessitaria de investimentos em equipamentos e tecnologias para se chegar a um nível de excelência no produto que fabricamos. Tanto que, até hoje continuamos investindo e aprimorando nossos processos industriais.

 

Jornal do Vidro - Em que momento você teve certeza de que tinha acertado em sua escolha de investimento. De 2006 pra cá, fazendo uma linha do tempo, quando você concluiu que tinha apostado certo?

 

Gerson - A partir de 2009, quando nós contratamos nosso atual gerente geral, o Ivânio Prestes, profissional com uma grande experiência na área comercial no mercado vidreiro que desenvolveu bem nosso comercial; e com a aquisição do forno horizontal que alavancou nossa produção. Quando começamos a temperar vidro com o novo forno, conseguimos triplicar a capacidade produtiva.  Esses dois fatores fizeram com que as vendas começassem a aumentar e ali eu vi que tinha dado certo. Foi uma grande evolução nossa.

 

Jornal do Vidro - Nesses nove anos, qual foi a contribuição tecnológica e/ou de desenvolvimento de produtos que, em sua opinião, a Sulglass trouxe para o mercado vidreiro? A Sulglass desenvolveu alguma tecnologia própria?

 

Gerson - É, na verdade, nós desenvolvemos nosso forno de têmpera em parceira com outra empresa, a Leonale. O engenheiro responsável pelo projeto foi um ex-funcionário da Pilkington, com experiência na montagem de fornos para a indústria automobilística. Nós nos encontramos em uma feira e propusemos a ele o desafio de montar um forno de têmpera. Ele topou e demos início aos trabalhos. Com isso, o resultado foi um forno totalmente exclusivo e original, não existe outro igual. O que não quer dizer que ficou perfeito, porque, mesmo depois de pronto e instalado, encontramos dificuldades e tivemos que fazer diversas adaptações e melhorias e, até hoje, nos dedicamos a otimizar a capacidade produtiva do forno.

  

Jornal do Vidro - Agora é o seguinte, conversando com o gerente geral, o Ivânio Prestes, fiquei sabendo que há a pretensão de se fazer uma cisão, levando a parte industrial para outro lugar e mantendo a parte de distribuição e comercialização de vidro aqui mesmo, na sede da Sulglass. Como está o andamento desse projeto?

 

Gerson - Então, nós temos uma área em São José dos Pinhais/PR, e, esse ano, o projeto é iniciar a construção da fábrica nesse local. O projeto está em análise, por isso, ainda não decidimos questões relacionadas à construção de um novo forno ou a transferência do que temos aqui para lá. O que está decidido, de qualquer forma, é que a parte de varejo e distribuição continuará aqui, uma vez que, essa região em que estamos localizados é um polo bem atrativo e de fácil acesso para os clientes da Sulglass. Dessa forma, nossos clientes não sentirão diferença alguma, na questão da acessibilidade, em relação às mudanças que estão por vir.

 

Jornal do Vidro - Em sua opinião, ainda existe mercado nesse ramo do vidro para outras têmperas se instalarem?

 

Gerson - A demanda de mercado para este ano ainda está um pouco imprevisível. A construção civil, em geral, apresentou queda nos últimos meses. Ainda que, no vidro, até agora, não sentimos o impacto dessa queda. Porém, não sabemos exatamente o que vai acontecer. Pelo que sei, na grande Curitiba existem quatro têmperas grandes e tenho informações sobre pelo menos uma que já está em fase de instalação do forno. Isso demonstra que ainda há espaço para novos empreendedores do vidro.

 

 Jornal do Vidro - Em sua opinião, qual foi o melhor ano da Sulglass?

 

Gerson - 2014. Embora a instalação do forno horizontal tenha ocorrido em 2010, até conseguirmos atender à demanda produtiva desse forno, que é muito maior que a do forno vertical que tínhamos anteriormente, foi preciso investir ainda mais nas outras máquinas envolvidas na produção de vidro. Tivemos que importar lapidadoras, furadeiras e passar por todo um processo de criação de capacidade de atendimento e abastecimento ao novo forno. Até tudo isso estar organizado e oferecendo pleno desempenho, levou algum tempo, sendo que, só em 2014 conseguimos operar com capacidade máxima, chegando muito perto do limite de produção em alguns meses.

 

Jornal do Vidro - E 2015? Quais são as perspectivas econômicas e de crescimento, primeiro da Sulglass, que certamente tem um planejamento de metas para esse ano; depois, sua opinião sobre o mercado em 2015.

 

Gerson - Para Sulglass, o plano de metas é superar 2014, vendendo 20 % a mais do que foi vendido no ano anterior. Para atingir esse objetivo, nosso comercial está todo empenhado, procurando outros eixos de mercado para conseguir atingir as metas. Eu, pessoalmente, acho que vamos conseguir porque acredito que o mercado tem muita procura, tem bastante obra em andamento e há uma demanda habitacional muito grande ainda no Paraná. 

 

Jornal do Vidro - Então, para você, as perspectivas para 2015 são boas. Mas, o que te faz ter essa certeza, já que, muitos economistas e empresários até mesmo do setor vidreiro afirmam o contrário?

 

Gerson - Primeiro, porque observo todas essas obras que estão ainda em fase de acabamento, justamente o momento em que entra o vidro. Segundo, porque, às vezes, diante de um cenário econômico adverso, com dólar subindo, inflação, pode ocorrer uma busca maior por investimentos mais seguros, como a compra de um imóvel. Para não deixar o dinheiro parado, se investe em compra e reformas de imóveis. Então, se você analisar momentos de crise, evidentemente há as dificuldades, mas, por outro lado, pode mudar também a mentalidade das pessoas em relação ao que fazer com o dinheiro, em que investir. Ao invés de deixar o dinheiro na caderneta de poupança, as pessoas podem optar por investir em algo mais sólido como a construção civil.

 

Jornal do Vidro – Agora, pra finalizar nossa entrevista, gostaria de saber o que mudou ou o que pode ter melhorado na sua vida depois que você passou a ser vidreiro? Só esclarecendo, não necessariamente no aspecto financeiro, mas, de maneira geral, no seu dia-a-dia?

 

Minha rotina é mais estressante hoje, mas, em compensação, sinto-me mais feliz em estar proporcionando mais benefícios às pessoas. Dirigir uma empresa com certa quantidade de funcionários é uma grande responsabilidade, porque, na verdade, não são só os funcionários, todos eles têm famílias e sabemos da importância de estarmos juntos e colaborar. Buscamos aprimorar nosso pessoal, melhorar as condições de trabalho e os recursos disponibilizados a eles. Investimos periodicamente na carreira dos funcionários da Sulglass, por meio de cursos de qualificação ofertados na própria empresa, por instituições como a Adivipar. Ainda, aqueles que se destacam nos seus setores são agraciados com outros cursos de especialização, pagos pela empresa e realizados externamente. Em relação aos nossos clientes, tem a satisfação de você ter um produto que está atendendo bem a eles, um produto para o qual se busca ter uma qualidade cada vez melhor. Pessoalmente, o que mais me realiza é ver que o cliente está satisfeito, que estamos ofertando um produto de qualidade. Poder oferecer esse benefício aos nossos clientes me traz contentamento.

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